Documentário revê assassinato da freira Dorothy Stang

Documentário revê assassinato da freira Dorothy Stang

Toda história da morte da religiosa, ativa militante de direitos humanos, é analisada em 'Mataram a irmã Dorothy'

REUTERS, REUTERS

16 de abril de 2009 | 15h58

O assassinato da freira Dorothy Stang, de 73 anos, em fevereiro de 2005, voltou às manchetes dos jornais nos últimos dias, quando o acusado de ser o mandante do crime, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o "Bida", foi enviado novamente à prisão.    

 

 

 

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video Trailer de 'Mataram a irmã Dorothy' 

 

Toda a história da morte da religiosa, uma ativa militante de direitos humanos, é analisada no documentário Mataram a irmã Dorothy, do diretor norte-americano Daniel Junge, estreando nesta sexta-feira em quatro capitais do país - São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém.

Resultado de um trabalho de pesquisa de três anos, o filme recupera a trajetória da freira Dorothy Mae Stang, nascida em Ohio, naturalizada brasileira e que dedicou as quatro décadas em que viveu no Brasil - desde 1967 - à luta pelos direitos de pequenos agricultores e sem-terra.

Junto com outros religiosos da companhia Notre-Dame, ela apoiava especialmente o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que prevê o assentamento de famílias em terras da Amazônia destinadas pelo governo federal. A filosofia do projeto impõe a conciliação de uma utilização reduzida da floresta combinada com a agricultura familiar, esta última em não mais de 20% do terreno.

A atuação da irmã Dorothy nos arredores do município de Anapu (PA) custou-lhe a vida, em 2005, quando os pistoleiros Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Batista supostamente foram ao seu encontro, descarregando sete tiros à queima-roupa, um deles na cabeça da religiosa. Na ocasião, ela carregava, como de hábito, uma Bíblia em sua mochila e chegara a recitar aos seus matadores alguns versículos do evangelho de São Mateus.

Segundo o processo na Justiça paraense, os pistoleiros teriam sido contratados por Amair Feijoli, o "Tato", a mando de Bida e, suspeita-se, também de Regivaldo Freire Galvão, que ainda não foi julgado.

 

Segundo o documentário, o foco da discórdia com a irmã foi o lote 55, uma área de floresta virgem compreendendo 3.000 hectares que já estariam destinados ao PDS mas teriam sido grilados e vendidos por Galvão a Bida. Depois do crime, o governo federal garantiu a posse do lote pelo PDS. Um preço de sangue alto demais, pago pela religiosa, e infelizmente não só por ela.

No filme, recorda-se que, em 30 anos, houve 750 mortes por conflitos de terra na região, sendo que apenas sete suspeitos foram julgados. Quando Mataram a irmã Dorothy foi concluído, em 2008, nenhum destes sete estava na prisão.

O documentário é altamente revelador dos bastidores do funcionamento da Justiça do Brasil. Falam por si mesmas as imagens da concessão de um habeas corpus para Regivaldo Freire Galvão no Supremo Tribunal Federal e as sucessivas chicanas jurídicas nos julgamentos dos implicados na morte da irmã Dorothy no Pará, onde o empenhado procurador Felício Pontes parece, infelizmente, uma voz quase solitária.  (Neusa Barbosa, do Cineweb)

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