Documentário revê 30 anos do Grupo Corpo

O DVD "Grupo Corpo - Uma Família Brasileira" comemora 30 anos do primeiro espetáculo da companhia de dança de Belo Horizonte. Além de contar sua trajetória, desde Maria Maria, de 1976, com música de Milton Nascimento e coreografia de Oscar Araiz, o documentário acompanha a criação do espetáculo mais recente, "Onqotô", que teve música de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik e coreografia de Rodrigo Pederneiras. O DVD tem lançamento para esta segunda-feira, no Cine Odeon; na quarta-feira, o Corpo volta ao Teatro Municipal do Rio para reapresentar "Onqotô" e "Missa do Orfanato", de 1989, com música de Mozart e coreografia de Rodrigo Pederneiras.´Há tempos registro o trabalho de quem resgata a auto-estima do brasileiro, nossos ritos e nossos mitos. O Grupo Corpo junta tudo isso, em um empreendimento com base na família. São quatro irmãos que, incentivados pelos pais, e rodeados de amigos, mostram que é possível criar arte e beleza´, diz a produtora Luci Barreto (mulher de Luiz Carlos e mãe de Bruno, Fábio e Paula Barreto), que assina a direção-geral. ´Acompanhamos a criação de Onqotô porque foi onde eles chegaram ao máximo de criatividade, perfeição e emoção num espetáculo de balé. O documentário os segue desde a primeira idéia até a consagração nos palcos brasileiros e estrangeiros.´Uma Família Brasileira levou quase um ano para ser realizado, com registro de 65 horas do grupo, no palco, nos ensaios, em viagens ou falando de seu processo de trabalho. Há imagens do primeiro espetáculo, Maria Maria, em que eles surpreendiam pela emoção e brasilidade, até então quase ausente do balé brasileiro. ´A base é sempre um apuro técnico, indispensável a qualquer bailarino´, diz Rodrigo Pederneiras, que a partir da primeira década tornou-se o coreógrafo do grupo, enquanto seus irmãos assumiam outras funções. Paulo é diretor artístico e Pedro, diretor técnico. ´Quando começamos, não havia mercado para balé em Minas, tivemos de criá-lo.´O Corpo só caminhou sozinho na primeira metade de sua vida. A partir de 1989 e durante 10 anos, teve patrocínio da Shell, que deu estabilidade financeira e permitiu vôos mais altos. Desde 2000 recebe verba da Petrobrás. ´Paga as contas, mas o plus vem da bilheteria´, garante Rodrigo. Ele explica que as tarefas são divididas. A música geralmente é encomendada a artistas de quem eles gostam. A próxima, que deve estrear em agosto, será de Lenine. ´Damos total liberdade de criação e a coreografia nasce junto ou a partir da música. O balé de Lenine será sobre violência, mas estamos no início.´Hoje o Corpo faz cerca de 80 espetáculos por ano, combinando a coreografrias, que já são mais de 30. Passam a maior parte do tempo viajando, pelo Brasil e pelo exterior e realizam o sonho de todo bailarino, brasileiro ou não. ´Quando começamos, só queríamos viver de dança em Minas Gerais. Hoje nosso horizonte se ampliou e há sempre algo novo e melhor para fazer´, conclui Rodrigo.

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