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Documentário recupera paixões e qualidades de Rubem Braga

Amigos do cronista passeia pelo pomar e narra suas lembranças da convivência com ele

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2013 | 21h49

A cobertura onde viveu o cronista Rubem Braga (1913-1990), no Rio de Janeiro, logo se tornou um ponto de encontro de notáveis da cultura brasileira. Ali, o escritor também descansava, namorava e cultivava um exuberante pomar. Não surpreende, portanto, que o diretor André Weller tenha escolhido aquele ambiente como ponto central de seu documentário Rubem Braga – Olho as Nuvens Vagabundas.

A estrutura é simples: uma série de amigos do cronista passeia pelo pomar e narra suas lembranças da convivência com Braga. Figuras como Zuenir Ventura, Ziraldo, Ana Maria Machado e Danuza Leão, entre outros, fornecem detalhes que servem como peças de um grande quebra-cabeça. Claro que a exaltação predomina, especialmente ao estilo poético do cronista, mas são pequenos detalhes que tornam o filme encantador. Danuza, por exemplo, relembra como despertou ciúmes da atriz Tônia Carrero (grande paixão de Braga) ao ser apresentada a ele – Tônia queria saber quem era aquela menina que “parecia uma escova de dente”.

Quase todas as mulheres, aliás, apontam para a paixão platônica que Braga lhes reservava, artimanha de um homem cujo olhar penetrante cativava as moças. Ana Maria Machado, por exemplo, conta como o cronista a esperava na saída da escola – ele gostava de ouvir análises dos textos dele.

A qualidade literária, porém, é o ponto principal. Zuenir mostra como Braga conseguia detectar a importância de detalhes insignificantes, conferindo-lhes toques de genialidade.

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