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Documentário 'O Golpista do Tinder' faz aplicativo de encontro publicar novas diretrizes

Filme trata de homem que fraudou vítimas em 10 milhões de dólares; empresa alerta contra novos golpes

Jennifer Hassan, The Washington Post

08 de fevereiro de 2022 | 15h00

A Netflix lançou na quarta-feira passada um novo documentário sobre crimes reais que retrata um homem que os cineastas alegam ter enganado dezenas de vítimas, principalmente mulheres, somando US$ 10 milhões em fraudes, depois de dar match com elas online. Na sexta-feira, o Tinder disse que havia banido  O Golpista do Tinder.



Usuárias de aplicativos de encontros supostamente não podem mais deslizar o dedo para a direita na foto de Shimon Hayut, também conhecido como “Simon Leviev”, o homem que, conforme detalhado pelo documentário, posava como o filho bilionário de um magnata dos diamantes russo-israelense e seduzia várias mulheres com juras de amor, bens luxuosos e viagens em jatos particulares para hotéis de luxo do mundo todo - mas depois exigia que elas lhe enviassem dinheiro, muitas vezes alegando que sua vida estava em grave perigo por causa de seus “inimigos”.

Hayut, que se apresentava como o “Príncipe dos Diamantes”, pedia às mulheres que tirassem cartões de crédito American Express e as convencia a aumentar seus limites e lhe emprestar um dinheiro que ele nunca pagava.

“Realizamos investigações internas e podemos confirmar que Simon Leviev não está mais ativo no Tinder sob nenhum de seus pseudônimos conhecidos”, disse o Tinder em comunicado à Variety na sexta-feira.

A produção contou com três mulheres de diferentes países europeus - Cecilie Fjellhoy, Pernilla Sjöholm e Ayleen Charlotte - que relembram seus contatos com Hayut ao longo de 2018 e 2019. O Tinder não pôde ser contatado imediatamente para comentar.

Um dia antes do lançamento do documentário, o Tinder publicou novas diretrizes para os usuários, intituladas: “Golpes no romance: como se proteger online”. Embora o novo guia do Tinder para identificar golpistas online não faça referência direta ao filme da gigante do streaming, o aplicativo de encontro disse que os golpistas costumam usar essas plataformas para atacar pessoas “vulneráveis” que estão “em busca de amor”.

O novo documentário, que rapidamente subiu nas listas dos mais assistidos nos Estados Unidos e no Reino Unido, focou na ficha criminal da vida real de Hayut e no seu longo histórico de enganar pessoas - principalmente mulheres em busca de amor.

Em 2011, Hayut era procurado em Israel por roubo, falsificação e fraude, inclusive por dar golpe na família para a qual trabalhava como babá, informou o Times of Israel. Ele fugiu de Israel antes que fosse sentenciado. Além disso, de acordo com Erlend Ofte Arntsen - um dos jornalistas que cobriu Hayut e é destaque no documentário - Hayut também enganou uma família em Nova York com um golpe de US $ 42 mil em 2008.

Hayut se estabeleceu na Finlândia. Em 2015, as autoridades o acusaram de dar golpe em três mulheres e o condenaram a dois anos de prisão. Em 2017, ele foi devolvido a Israel para enfrentar as autoridades pelas acusações pendentes - mas fugiu de novo. O documentário da Netflix cobre principalmente suas relações com as mulheres depois dessa época.

Em julho de 2019, Hayut foi preso na Grécia (graças, como mostra o documentário, a uma pequena ajuda de Ayleen Charlotte, da Interpol e da polícia israelense). Ele foi extraditado de volta para Israel.

Ele foi condenado a 15 meses de prisão por fraude e condenado a pagar uma indenização de mais de US$ 43 mil. Mas Hayut cumpriu apenas cinco meses, informou o Times of Israel.

O documentário diz que Hayut está livre - embora seu paradeiro seja desconhecido - mas as vítimas de seus golpes românticos continuam pagando as dívidas que contraíram a seu pedido.

 

Após o lançamento do documentário, Hayut foi para sua conta pessoal no Instagram e disse a seus 200 mil seguidores que estava se preparando para fornecer sua versão dos eventos, informou a Variety. No entanto, a conta - que mostrava o fraudador posando em ternos chiques, com garrafas de champanhe e dentro de jatos particulares - foi excluída.

Com suas novas diretrizes, o Tinder exorta seus usuários a tomarem cuidado ao conhecer um match, acrescentando que, apenas nos Estados Unidos, os criminosos conseguiram cerca de US$ 304 milhões em golpes românticos no ano de 2020, citando dados da Comissão Federal do Comércio.

Em sua longa lista de conselhos, a empresa disse que os usuários devem “confiar em seus instintos”, atentar para “exibicionismo exagerado” e não compartilhar detalhes pessoais, como informações de passaporte ou número de previdência social.

“Acima de tudo, não transfira dinheiro online”, disse a empresa no aviso de três páginas.

Nas mídias sociais, muitos observadores ficaram horrorizados com as histórias das mulheres, com alguns elogiando-as por compartilhar suas experiências tão abertamente e soar o alarme sobre as ações de Hayut.

“Cecilie colocou seu orgulho e sua privacidade de lado para denunciar um fraudador de longa data”, disse um tweet. Outros chamaram as mulheres de “incríveis” e “corajosas”. Ayleen Charlotte, a mulher que promete “dar um golpe no golpista do Tinder”, foi elogiada por muitos por seu compromisso em derrubar Hayut.

“Serei para sempre fã de Ayleen”, twittou um usuário.

Charlotte diz que emprestou a Hayut aproximadamente US $ 14 mil durante os 14 meses em que namoraram. Fjellhoy foi declarada falida no Reino Unido, onde vive, e disse à ITV britânica que tem mais de US$ 270 mil em dívidas. “É impossível pagar essa dívida”, disse ela em entrevista na semana passada.

Enquanto algumas pessoas simpatizaram com aquelas que foram enganadas, outras disseram que teriam visto os sinais ou agido muito antes.

“A primeira bandeira vermelha é um bilionário solteiro no Tinder”, disse um tweet.

Depois de lançado o documentário, Cecilie Fjellhoy, Pernilla Sjöholm e Ayleen Charlotte lançaram uma campanha de doação na internet a fim de arrecadar 600 mil libras, cerca de R$ 4 milhões, para sanar seus prejuízos.


TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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