Documentário faz retrato dos anos turbulentos do movimento negro

'The Black Power Mixtape' recupera filmes feitos entre o final da década de 60 e início de 70

Julia Baptista - Estadão.com.br,

01 Abril 2011 | 17h33

The Black Power Mixtape (2010), longa dirigido pelo sueco Göran Hugo Olson, abriu oficialmente a 16ª edição do Festival Internacional de Documentários. Dividido em nove capítulos, o filme conta a saga do Movimento Negro nos Estados Unidos da década de 60 e 70, por meio de imagens de arquivo e depoimentos atuais.

Foram boatos de que havia materiais sobre os Panteras Negras na Suécia que levaram o diretor a recuperar filmes da televisão sueca feitos entre 1967 e 1975, que estavam há 30 anos arquivados. "Eu queria manter a atmosfera do material, e não cortá-lo em pedaços", escreveu o diretor, no catálogo oficial da mostra. São filmagens de 14 realizadores.

 

 

Com depoimentos atuais de várias gerações de artistas, intelectuais e ativistas dos direitos civis, o longa refaz a trajetória daqueles que estiveram diretamente ligados à luta pelos direitos civis, às manifestações pela não-violência de Martin Luther King e ao grupo armado Panteras Negras. "As pessoas do filme mudaram o mundo para melhor. Não só os negros dos Estados Unidos , ou qualquer grupo marginalizado, mas para todas pessoas". O início do filme foca no ativista Stokely Carmichael, mostrando ele durante discursos e também entre amigos e familiares. Ao longo do documentário, também é conhecida a história de Angela Davis, intelectual presa e procurada pelo FBI, que após dois anos de detenção, foi solta, continuando uma trajetória de luta pelos direitos civis.

Nomes como o ator Danny Glover, a cantora Erykah Badu, a professora e filósofa Angela Davis, a poetisa Sonia Sanchez, o músico e compositor Harry Belafonte e o rapper Talib Kweil procuram fazer uma análise atual da importância e consequências do movimento, que, além de lutar contra o racismo, também deu voz a setores marginalizados da sociedade, como o feminismo e a luta dos homossexuais.

A parte final do longa mostra o avanço de drogas como heroína e crack entre a população jovem no Harlem e outros bairros de Nova York, tradicionalmente lugares onde vive a comunidade negra. Em contrapartida, fala da ascensão do islamismo entre essa comunidade.

ASSIM É SE LHE PARECE - Cine Livraria Cultura. Hoje, às 21h; amanhã, às 15h.

THE BLACK POWER MIXTAPE - CCBB. Hoje, às 15h.

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