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Documentário 'Elogio da Liberdade' exalta trabalho de Rosiska Darcy de Oliveira

Jornalista que é exemplo na luta pela liberdade e igualdade dos direitos das mulheres é tema de filme de Bianca Comparato

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2019 | 03h00

Rosiska Darcy de Oliveira é um exemplo na luta pela liberdade e igualdade de direitos das mulheres. Jornalista, escritora e ensaísta, ela inspirou a jovem atriz Bianca Comparato a realizar um documentário, Elogio da Liberdade, que será exibido neste domingo, 31, pelo canal Max, às 21h. A partir de entrevistas, Rosiska faz um registro de sua trajetória, desde a infância em uma tradicional família carioca até o exílio de dez anos na Europa, forçado pelo governo militar.

Uma das líderes do movimento feminista no Brasil, ela reforça sua luta com diversos livros publicados, o que a levou a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras, em 2013. A convite do Estado, Rosiska e Bianca conversaram via e-mail e por meio de perguntas formuladas uma para a outra. Aqui, os principais trechos:

Bianca – Você foi exilada na Suíça e lá descobriu o movimento feminista. Pode falar sobre como se sentiu pertencente mesmo estando no exílio? Isto é, se sentir menos exilada na Suíça do que no Brasil (por ser mulher numa sociedade patriarcal)?

Rosiska – Encontrei no movimento de mulheres o que Virginia Woolf chamava de o país das mulheres. Nesse país das mulheres, eu tinha cidadania e passaporte por direito de ter nascido mulher. E isso era, entre nós, respeitado e admirado. Mesmo sendo exilada, entre as minhas amigas, eu não me sentia estrangeira como me senti tantas vezes no Brasil, trabalhando entre homens. Não era uma questão de países reais, Suíça ou Brasil, mas de uma espécie de território liberado, interno. No movimento de mulheres, éramos mulheres e não um homem com defeito de fabricação, a quem falta alguma coisa, como se costuma olhar para nós, um olhar que nos torna estrangeiras e exiladas no mundo dos homens.

Bianca – Por que você quis fazer esse filme?

Rosiska – O filme é um testemunho que dou sobre uma geração, a minha, que, no fim do século 20, ajudou a quebrar um paradigma milenar que fazia da diferença entre homens e mulheres o fundamento da desigualdade e da hierarquia. Minha geração definiu a igualdade como o reconhecimento das diferenças sem hierarquia. Tenho disso muito orgulho, de ter participado de uma revolução que marcou não só minha vida, como meu tempo.

Bianca – Que mensagem você gostaria de deixar para mulheres das futuras gerações?

Rosiska – Não se intimidem, não se deixem humilhar, não se apequenem. Vocês são o momento atual de uma trajetória muito longa. Hoje, já não somos um movimento de mulheres, somos as mulheres em movimento. O filme conta essa história, uma história bonita, de mulheres corajosas que não se renderam ao deboche, às ironias, aos maus-tratos.

Rosiska – Fazer esse filme representou o que para você?

Bianca – Representou uma mudança de paradigma na minha vida. Ao entrar em contato com a sua história e sua obra, um novo mundo se abriu. Onde me sinto mais forte para lutar pelos meus direitos, capaz de conquistar espaço na minha profissão e encontrei minha voz com mulher.

Rosiska – Como você viveu nossa diferença de gerações?

Bianca – Vivi um aprendizado constante. Uma troca profunda. Às vezes, não te compreendi, outras não concordei, mas sempre te admirei e admiro ainda. E, em outras tantas, me iluminei com nossas conversas. Esse diálogo é fundamental, entre gerações. Assim caminha a humanidade.

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