Documentário desvenda cena homopop de São Francisco

O homohop existe e mostra que tem gay que é muito macho.Afinal, não é qualquer um que mexe no vespeiro da quaseincontestável macheza dos MCs, e vai ao palco mandar letrasaudaciosas vestindo um maiô de crochê. O movimento dentro domovimento é visto de perto pelo documentário Pick Ip the Mic,do canadense Alex Hinton, batizado aqui de Com a Boca noMicrofone e que será exibido no sábado no 14.º Mix Brasil. Hintontambém dirigiu Queercore, de 2002, sobre a cena gay punk. O homohop tomou corpo em 2000, na meca gay, SãoFrancisco. Foi quando Peace Out Homo Hop Festival reuniu b-boyse girls homossexuais num palco pela primeira vez. Antes, em 1999 o grupo Rainbow Flava (gíria para "sabor de arco-íris","espírito gay") causou frisson na Parada Gay de São Francisco,com seus MCs com o sex-appeal de um Erasure e músicas comoPride & Prejudice e Funky Bissexual - eles são chamados de"rainhas do hip hop". "Há bandas gays como a nossa, mas nãotanto", brinca o vocalista e letrista Dutch Boy. Sim, há mesmo pouquíssimos grupos rap gays assumidos,mas os que existem estão organizados. Já têm até um selo, o PhatFamily Records, que espalha discos de grupos como o DeepDickollective por todo território americano. Depois do pioneiroHomo Hop Festival, os festivais dedicados ao "querer hip-hop" semultiplicam nas barbas de George W. Bush. As rainhas fazem um hip hop diferente, claro. Primeiro,porque as letras são de um descaramento total e divertido.Segundo, porque gay tem suingue. E, terceiro porque os MCs gayssão chiques demais - as roupas vão do "street de sempre" aopsicodélico, passando pelo insuperável maiô de crochê de JubaKalamka, vocalista do Deep Dickollective. Tudo isso, como nãopoderia deixar de ser já que hip hop é engajamento por definição tem objetivos claros. "Queremos tirar os gays do armário",prega DutchBoy, certo de que as periferias do mundo jamais serãoas mesmas. Com a Boca no Microfone (Pick Ip the Mic, EUA/2005,95 min.) - Dir. Alex Hinton. 16 anos. Unibanco Arteplex 2. R. Frei Caneca, 569, 3472-2365. Amanhã, 13h. Centro Cultural Banco do Brasil. R. Álvares Penteado, 112, 3113-3651. 4.ª e 5.ª, 20 h

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