Documentário de Evaldo Mocarzel é premiado na Argentina

O documentário brasileiro À Margem do Concreto, de Evaldo Mocarzel, e o curta-metragem mexicano O Outro Sonho Americano, de Enrique Arroyo, foram premiados na noite de quarta-feira no 8.º Festival Internacional de Cinema de Direitos Humanos de Buenos Aires. O documentário será exibido na 30.ª Mostra de Cinema de São Paulo nos dias 23 (às 20 horas, no Unibanco Arteplex - Sala 3), 25 (às 14 horas, no Cine Bombril Sala 1), 27 (às 18 horas, no Cine Bombril Sala 1) e 29 (às 20h10, no Cine Bombril Sala 2). À Margem do Concreto, que critica a ausência de políticas públicas para solucionar a falta de moradia em São Paulo, foi eleito, segundo o júri, pela "força com que expõe a luta pelo direito fundamental à habitação digna" e pela "contundência e coragem" do cineasta em refletir a luta dos movimentos que ocupam casas abandonadas. O filme mostra as ocupações de prédios realizadas pelos movimentos dos sem-teto na cidade de São Paulo. O cineasta e jornalista brasileiro Evaldo Mocarzel disse à ANSA que "existe uma relação estreita entre exclusão social e violência no Brasil, onde a sociedade é muito segregacionista" e explicou que o objetivo de À Margem do Concreto é tirar o estigma das pessoas envolvidas nos movimentos pela obtenção de moradia. O Outro Sonho Americano foi eleito pelo "tratamento cinematográfico e a capacidade de sintetizar uma realidade sombria e constante", segundo o júri. Em um curta-metragem de ficção de dez minutos, o mexicano Enrique Arroyo transmite ao expectador o horror das mulheres que aparecem estupradas e assassinadas na cidade de Juarez, ao norte do México na fronteira com os Estados Unidos, desde 1993, enquanto reina a total impunidade. Nesta edição do Festival de Cinema de Direitos Humanos, o único evento do gênero na América Latina, mais de 100 obras foram exibidas durante uma semana.Mais premiados Além de Mocarzel, outro brasileiro foi convidado para o evento, o crítico de cinema Emir Labaki, junto com outros convidados internacionais como o documentarista peruano Javier Corcuera, o realizador italiano Enzo Lavangnini, Paula Reátegui do grupo Chaski de Lima (Peru) e Sergio Benvenuto do Festival de Cinema Pobre de Cuba. O documentário Mardi Gras: Made in China, de David Redmon (Estados Unidos), sobre a globalização do mercado e o custo social dos operários chineses recebeu o prêmio Signis, enquanto recebeu menção especial o argentino Muertes Indebidas, de Rubén Plataneo, que resgata as histórias de três famílias de desaparecidos na última ditadura no país (1976-83). Entre os curtas-metragens, também receberam menção especial Historia de Rosa, do nicaragüense Florence Jauguey, que denuncia a hipocrisia das instituições perante o caso do estupro de uma menina costarriquenha de nove anos, na Nicarágua, que engravida. Menções também para outros dois filmes: As Águas de Nashipur (tradução ndr), de Pietro Silvestri (Itália), um povo indígena condenado a sofrer as doenças pela água contaminada; e A Good Boy de Monica Ray (Filipinas), sobre pedofilia.

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