"Doces Bárbaros" volta aos cinemas, sem cortes

Uma primeira versão do filme foi lançada em 1977, com quatro grandes cortes impostos pela censura. Eram cenas em que Gil e o baterista Chiquinho Azevedo, que também fora preso, apareciam lado a lado em uma clínica psiquiátrica para onde foram mandados como parte da sentença. A outra seqüência mostrava a leitura da defesa do cantor e compositor no seu julgamento. Todas elas foram reincorporadas nessa nova versão que chega aos cinemas hoje.Passaram-se quase 30 anos entre a versão mais recente do documentário Doces Bárbaros e o espetáculo que comemorou os dez anos das carreiras de Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso. O diretor Jom Tob Azulay registrou as primeiras etapas da excursão, a partir da estréia no Palácio do Anhembi, em São Paulo, filmando desde os ensaios até os shows, passando pela reação do público e da imprensa. Registrou também a prisão e o julgamento do hoje ministro Gil, em Florianópolis, por porte e consumo de maconha. Além de restabelecer a integridade do filme, Azulay o remasterizou e remontou, adicionando cenas inéditas de entrevistas com os cantores. O incidente de Florianópolis envolvendo Gil e a condição atual do cantor baiano deram ao trabalho uma característica de raridade. Visto com distanciamento, não traz nada de novo do ponto de vista de linguagem. É apenas um registro competente do acontecimento que marcou aquele período e estabeleceu a forte influência dos baianos na MPB.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2004 | 12h00

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