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Do drama à comédia

Inspirada em HQ sombria e violenta, ‘Red’ se transforma na versão das telas

Elaine Guerini - Especial para O Estado de S. Paulo,

27 de julho de 2013 | 18h06

NOVA YORK - Inspirada em série de quadrinhos criada pelo escritor Warren Ellis e pelo desenhista Cully Hamner, a franquia Red – Aposentados e Perigosos ignora o caráter sombrio e violento do original, enveredando pela comédia de ação. Da HQ publicada pela primeira vez em 2003, pela Homage Comics, basicamente só o protagonista e a ideia central foram mantidos. “O que me incentivou a comprar os direitos do HQ foi a ideia subjacente de que todos nós acabaremos descartados pela sociedade um dia. Talvez antes mesmo do vencimento do nosso prazo de validade, o que é insano”, diz Lorenzo di Bonaventura, produtor.

Ao inventar um significado para a sigla Red, “retired, extremely dangerous” (aposentado, extremamente perigoso, na tradução), o produtor viu a chance de reunir uma geração de atores mais experientes. No comics, “Red” é apenas o status (que vai do verde ao vermelho) carimbado no arquivo do ex-agente Frank Moses. “Queria trabalhar com um grupo de veteranos que tenta encontrar um novo caminho, sem precisar necessariamente se aposentar”, conta Bonaventura. Além de Bruce Willis e Helen Mirren, ele escalou John Malkovich (para o primeiro e o segundo filme), no papel de um ex-agente lunático, e Anthony Hopkins, que vive um cientista perturbado emocionalmente na continuação.

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Duros de Matar

Nomeada Dama do Império Britânico em 2003, pelos serviços prestados à dramaturgia de seu país, Mirren estranhou o convite para integrar a trupe de aposentados incansáveis. “A franquia é muito diferente dos dramas calcados nos diálogos que eu costumo fazer”, afirma a atriz, formada na New College of Speech and Drama de Hampstead e frequentemente associada nas telas a figuras da realeza.

Além de A Rainha, que lhe rendeu o Oscar pela performance como Elizabeth II, a atriz ficou com o papel-título da minissérie Elizabeth I’ (1995), viveu a rainha Charlotte em As Loucuras do Rei George e também encarnou Milonia Caesonia, a quarta e última mulher do imperador romano em Calígula. Mirren também emprestou a voz às rainhas de dois longas de animação: O Príncipe do Egito e The Snow Queen. “Por receber mais convites para atuar em outros gêneros cinematográficos, até fazer o primeiro Red eu ainda não tinha segurado uma arma. Esse foi um território nada familiar para mim.”

Ainda que sua personagem na franquia, Victoria, tenha ajudado Frank no primeiro filme, ela volta à sequência para matá-lo – pelo menos inicialmente. Na nova trama, sob a direção de Dean Parisot (de As Loucuras de Dick & Jane, de 2005), o protagonista tem de administrar a perseguição de Victoria, as investidas amorosas de uma ex, a russa Katja (Catherine Zeta-Jones), e o ciúme da namorada atual, a ex-telefonista Sarah Ross (Mary-Louise Parker).

“Com as armas que têm, as mulheres são sempre muito mais espertas que os homens. Acho que elas deveriam estar no comando de tudo, inclusive como presidentes dos países. Nós não podemos competir com elas quando o assunto é inteligência. Por querer fazer tudo do seu jeito, o homem sempre acaba estragando tudo”, diz Willis.

O ator, que celebrou recentemente os 25 anos da franquia Duro de Matar, interpretando o policial John McClane pela quinta vez, sente-se mais próximo do personagem de Red. Por mais que o ex-agente aposentado tente levar uma vida extraordinária, sua rotina é repleta de problemas triviais. “Minha vida é cheia de contratempos domésticos, maçantes demais para mencioná-los”, conta ele.

Casado desde 2009 com a modelo e atriz Emma Heming, com quem tem uma filha, Willis diz conhecer e frequentar a rede atacadista americana Costco. A sequência de abertura de Red 2 é ambientada numa loja da empresa, símbolo do estilo de vida consumista nos EUA. É lá que Frank tenta se enquadrar como um cidadão comum. “Sou fã da rede Costco pelo tamanho exagerado de tudo, como do carrinho. Você tenta enchê-lo até chegar ao caixa e perceber que não precisa de nada daquilo. Do seu jeito, Costco é quase um museu de arte.”

Mulher do cineasta californiano Taylor Hackford, Mirren admite ter comprado na rede Costco uma única vez. Justamente num dia em que os paparazzi seguiam o casal. “Foi humilhante. Como eles nos flagraram comprando um micro-ondas, fomos chamados no artigo de pão duros”, lembra Mirren, rindo.

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