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'Divertida Mente', da Pixar, incentiva debate sobre o futuro da animação

Novo longa de Pete Docter, que estreia no Brasil no dia 18, é divertido, ousado e original

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 03h00

Há uma lenda na Pixar, e é a de que, de todos os diretores das casa, Pete Docter é o único com permanente carta branca para fazer o que quiser, como quiser. O nome ajuda – Docter Pixar. Numa época em que Hollywood, e o estúdio, aposta(m) nas sequências, Pete Docter ousou fazer de novo um filme com argumento original. Fez o melhor filme da Pixar em anos – Inside Out, que no Brasil se chama Divertida Mente (e estreia na quinta-feira, 18). Na França, o título é Vice-Versa e o filme teve direito a exibição especial no recente Festival de Cannes. Tapete vermelho para Docter e seu ‘team’. Vale lembrar que Cannes, há alguns anos, estendera o tapete para Up – Altas Aventuras, também de Docter. Não por acaso, nove entre dez críticos vão jurar que Divertida Mente é o melhor filme da Pixar desde...Up.

Ao repórter, em Cannes, Docter contou a gênese do filme. Olhava a filha e ficava desconcertado com a variação de seus humores. Pensava: “O que se passa na cabeça dessa menina?” A ideia começou a martelá-lo e ele começou a imaginar a confusão de sentimentos na cabeça da filha. Alegria, medo, raiva, tristeza. Primeiro inconscientemente, e depois de forma cada vez mais racional, os sentimentos foram sendo transformados em personagens e nasceu Divertida Mente. Diretor de criação da Pixar (e da Disney), John Lasseter adorou o projeto. Como sempre, na Pixar, foram feitas reuniões para incrementar o projeto. Lasseter garante: “Tudo já estava formatado na cabeça de Pete”.

Na trama, Riley, uma garota de Minnesota, muda-se com os pais para São Francisco. São muitas mudanças na sua vida – troca de cidade, de escola, de amigos. Na cabecinha de Riley, a Alegria quer que tudo termine bem e ela seja feliz. Na realidade, a grande surpresa da própria Alegria é descobrir que, lá pelas tantas, vai precisar da Tristeza para colocar a vida de Riley nos eixos. É original, é divertido, é genial. E um ótimo pretexto para que se fale do futuro da própria animação.

Docter Pixar não tem medo de ousar

Pergunte a Pete Docter, o Docter Pixar (como é chamado), o que realmente está mudando na animação? “Fiz um filme (Divertida Mente) que é sobre a mudança na vida de uma criança. Uma coisa é o que se passa na cabeça dela. Outra é o que as novas mudanças tecnológicas estão fazendo com os filmes, e em especial com as animações? O avanço da digitalização não envolve somente as ferramentas para se fazer os filmes, mas também a forma como são vistos. Hoje, as pessoas veem filmes em tablets, iPhones e smartphones. As crianças jogam videogames e leem e-books. É muito diferente do meu tempo, mas uma coisa não mudou. As pessoas, sejam adultos ou crianças, continuam querendo histórias. E isso é o fundamental. Muitas coisas ainda vão mudar, mas a questão é sempre: contar uma história. Contá-la bem, dispondo-se das ferramentas que não cessam de evoluir.”

A originalidade (e ousadia) de Divertida Mente está no fato de Peter Docter ter transformado em personagens as emoções na cabeça de uma menina. Ele se inspirou em sua filha, mas, como diz, isso não é o mais importante. Poderia ser outra criança, qualquer criança. Como dar forma à aventura da mente? Foi o desafio de Divertida Mente. O repórter tenta explicar o título brasileiro, que cria um duplo jogo, um duplo sentido. É a mente engraçada, mas também é um advérbio de modo. Divertidamente, como especialmente.

“Estava com John (Lasseter, diretor de criação da Pixar) quando um amigo veio nos agradecer. Como pais, todos queremos a felicidade para nossos filhos e o filme lhe fez ver que a felicidade não pode nem deve ser um estado permanente. Com o nosso filme, ele aprendeu a importância da tristeza, da perda. Mas nós não inventamos isso. Vivemos hoje numa era de correção política em que os pais procuram resguardar excessivamente os filhos. As animações que fizeram minha cabeça foram Bambi e Peter Pan, e Walt Disney abordava a perda (a morte da mãe), criava o medo, até o terror na cabeça das crianças. O importante era a história. Essas histórias permanecem comigo. Também gostaria de criar histórias que façam diferença, e sejam perenes.”

Embora tenha se inspirado na própria filha, Docter diz que o desejo do filme é anterior. “Estou sempre me perguntando: o que ainda não vi, o que gostaria de ver? Há tempos experimentava esse desejo de falar do funcionamento do corpo humano. Filmes como Viagem Fantástica (de Richard Fleischer) e Viagem Insólita (Joe Dante) já viajaram pelo corpo humano. Woody Allen foi o único que viajou pela mente, mostrando o funcionamento da ereção em Tudo o Que Você Queria Saber sobre Sexo.Revimos o filme, e é fantástico. Ao transformar emoções em personagens, trabalhamos com o que a animação tem de melhor – o vigor e a força de fazer caricaturas de personalidades, e nos divertirmos com isso.”

 

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