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Diversidade e Experimentação

Como todo ano, o cinéfilo prepara-se para a maratona que vai começar. No segundo semestre, tem a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No primeiro, tem o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Os números são superlativos - 18 documentários brasileiros inéditos; 92 documentários vindos de todo o mundo, que vão proporcionar um passeio por nada menos do que 29 países.

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo,

31 de março de 2011 | 06h00

 

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O próprio criador e diretor artístico do evento, Amir Labaki, comemora a diversidade. Não existem dois documentários, entre os sete longas da competição brasileira, que se assemelhem.

 

No panorama internacional, a diversidade também dá o tom, mas existem algumas conexões interessantes. Basta pegar A Onda Verde, de Ali Samadi Ahadi, da Alemanha, na competição, e A Vida em Um Dia, de Kevin McDonald, do Reino Unido, que integra a seleção Programas Especiais.

 

Montagem brilhante. Ambos trabalham sobre materiais pré-existentes. O cineasta iraniano recorre a testemunhos diretos e a postagens em blogs, no Twitter e no Facebook para reconstituir o clima das polêmicas eleições presidenciais de 2009 em seu país McDonald organiza em blocos as imagens geradas por usuários do YouTube ao redor do mundo, num único dia (24 de julho de 2010). Cerca de 80 mil pessoas postaram seus vídeos. McDonald fez um radical - e brilhante - trabalho de montagem, partindo de 4.500 horas de material.

 

As novas plataformas eliminam fronteiras. Mais do que isso, a rede social que aproximou os opositores do regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad desempenhou um papel significativo na eclosão dos movimentos populares no mundo árabe - na Tunísia, no Iêmen, no Egito e na Líbia.

 

Diferenças culturais. O filme do YouTube, produzido pelos irmãos Tony e Ridley Scott, é uma celebração da diversidade cultural planetária. As pessoas pensam e agem de formas diferentes, em diferentes culturas, mas a humanidade - e a emoção - essas são genuínas em toda parte.

 

A competição brasileira traz desde um retrato da luta por terra naquele que já foi o maior latifúndio do Brasil - a fazenda Suiá Missu - no interessantíssimo Vale dos Esquecidos, de Maria Raduan, até o perfil de Tancredo Neves por Sílvio Tendler (na mesma vertente de Os Anos JK e Jango, do diretor).

 

Brasileiros radicalizam a experimentação nos Programas Especiais - Os Cavalos de Goethe é Arthur Omar ao quadrado; a dose dupla de Carlos Adriano traz Santos Dumont - Pré-Cineasta? e Santoscópio = Dumontagem, ambos inspirados pelo carretel de fotos em que Santos Dumont explica seu invento ao honorável C.S. Rolls. Carlos Adriano só precisa disso para tecer obras instigantes.

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