Distribuir filmes em espanhol nos EUA: está tudo no manual

O chileno Pedro Zurita, diretor de videoteca em Nova York e promotor de vários festivais latino-americanos nos EUA, diz que existe um grande terreno para distribuição de filmes e vídeos em idioma espanhol nos Estados Unidos. Para provar, ele lançou hoje, na abertura do Festival de Cinema de Valdivia, no Chile, o livro Cómo Distribuir Su Filme y No Morir en el Intento. O autor lembra em sua obra que atualmente vivem 30 milhões de latinos e espanhóis no país."Essa comunidade é uma das que mais gastam em entretenimentos em todo mundo. De fato, acambam consumindo mais em diversão que a população de origem anglo-saxônica nos Estado Unidos", diz Zurita. Segundo ele, estes dados são frutos de pesquisa da Screen Actor´s Guide, o sindicato dos atores e atrizes de cinema americano, órgão muito competente e bem estabelecido no país, que vêm promovendo a greve geral do setor, que já dura mais de três meses.Segundo Zurita, as produções faladas em castelhano contam com um público bastante entusiasta e podem chegar a ter muito êxito, como foi o caso de Selena, de Gregory Navas, Como Água para Chocolate e Caminhando Sobre as Nuvens, de Alfonso Arau, que arrecadaram milhões de dólares.O livro de Zurita foi originalmente concebido para ajudar aos realizadores de origem latina, mas na realidade serve para colocar no mercado americano qualquer filme estrangeiro. Prova disso são as traduções em italiano e em alemão do livro - a primeira lançada junto à versão em espanhol, e a segunda em vias de publicação. A obra conta com um prólogo de Patricia Boero, do Sundance Institute.Por vinte capítulos, o livro aborda temas como possibilidades e realidades do mercado americano, planejamento de uma produção, instrumentos jurídicos para lançamento no mercado de longas-metrangens, e organização de festivais e feiras cinematográficas."Resumindo, trata de transmitir a maior quantidade de informação possível aos realizadores latino-americanos e espanhóis sobre como colocar uma obra audiovisual no maior mercado de distribuição do mundo", explica. "Chegar a esse mercado não é impossível como muitos pensam, mas também não é fácil sem instrumentos e metodologias apropriadas", acrescenta Zurita, que chegou aos EUA em 1984, e hoje é assessor de inúmeros festivais no continente, além de produtor, cenógrafo e professor de arte.

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