Disputa sobre Carmem Miranda se arrasta na Justiça

Uma disputa em torno de Carmem Miranda arrasta-se há quatro anos na Justiça. Em 1999, o produtor Anibal Massaini, que prepara um documentário sobre Pelé para o ano que vem, anunciou a intenção de produzir uma cinebiografia dela, mas suas herdeiras, as irmãs Aurora e Cecília Miranda da Cunha e a sobrinha Suely Pilar (filha do irmão, Jaime) não admitem o uso da imagem da Pequena Notável sem autorização.A advogada que as representa, Sílvia Gandelman, venceu uma ação preventiva contra o filme em primeira instância, mas o produtor apelou e o caso está na 14.ª Câmara Cível, sem prazo para a sentença. "Com sorte, se decide até o fim do ano", avisa Sílvia. "Não proibimos o uso da imagem de Carmem Miranda nem estamos preocupados só com o que possa render em dinheiro, mas queremos critério. Toda pessoa tem passagens que a valorizam ou que a denigrem e há também a verdade. Só precisamos saber com antecedência a abordagem para melhor contribuir para o relato mais próximo da verdade."Anibal Massaini passa os dias examinandos mais de 90 entrevistas e outro tanto de gols em 100 minutos de filme, não fala sobre esse outro projeto, antes de consultar seus advogados. A Agência Nacional de Cinema (Ancine) não recebeu o pedido de registro dessa produção, que permite captar recursos nas leis federais de incentivo à cultura, a Rouanet e a do Audiovisual. Mas, no caso de Pelé, Massaini só foi buscá-los quando o filme entrou em edição. Massaini não adiantou sequer se fará um documentário, como Pelé, ou uma película de ficção.A mais querida - A maior diferença entre os dois casos é que Massaini e Pelé são amigos, planejavam o filme desde a Copa de 1982 e, a partir de 2000, o Rei começou a cobrar sua realização. Carmem Miranda, que morreu em 1955, não teve relação pessoal ou profissional com o produtor. Carmem é a brasileira mais famosa do mundo. Era o maior salário de Hollywood nos anos 40, como uma Julia Roberts mais exótica, que também cantasse e dançasse. Mas o uso de sua imagem é complicado. O cantor Eduardo Dusek gravou seu repertório mas não pôde usar muitas referências a ela. Marília Pêra, que viveu Carmem Miranda inúmeras vezes no teatro em várias situações, teve de deixar a personagem por interdição legal. Quase quatro décadas depois de sua morte, ela continua a brasileira mais conhecida no mundo e, certamente, a mais querida, especialmente nos Estados Unidos, como comprova a visitação ao museu dedicado a ela, no Rio de Janeiro.

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