Disputa por direitos atrasa relançamento de "Canto dos Malditos"

A estréia do filme Bicho de Sete Cabeças não vai ser acompanhada pelo relançamento do livro que o inspirou, Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno, como se esperaria de uma boa estratégia de marketing. Um mal-entendido entre o autor, sua procuradora e duas editoras atrasou o lançamento, que deverá ocorrer no início de julho.O desencontro começou quando as editoras Garamond e Rocco anunciaram deter os direitos do livro - enquanto a primeira acertara diretamente com Carrano, a segunda firmara um contrato com a advogada do autor, nomeada sua representante. Descoberto o impasse, as editoras suspenderam o processo de impressão e deixaram o caso com seu Departamento Jurídico.Carrano chegou a revelar em entrevistas que preferia o acordo com a Garamond, que oferecia 20% das vendas, contra 10% da concorrente. Mas a simples consulta das datas em que foram firmados os contratos impediu que a solução viesse por meio de decisão jurídica: como havia assinado primeiro um acordo legal, a Rocco é a real detentora dos direitos. Apesar de uma resolução não tão complicada, o problema frustrou o lançamento casado com a estréia do filme.A adaptação da obra para o cinema rendeu outro mal-entendido, também resolvido. Ao decidir transformar em filme o relato de Carrano, a diretora Laís Bodanzky consultou o escritor Marcelo Rubens Paiva. "Como já era amigo do Carrano e conhecia seu livro, tive uma certa facilidade em fazer duas versões do roteiro", conta Paiva, que sugeriu ainda o ator Jairo Matos para o elenco, além de Arnaldo Antunes para compor a trilha sonora.A diretora decidiu, porém, continuar o projeto em conjunto com o marido, Luís Bolognesi, que escreveu outras cinco versões do roteiro. "O trabalho de Marcelo Rubens Paiva foi muito bom, mas não influenciou a minha versão da história", conta Bolognesi, que, antes de fazer simplesmente uma adaptação, decidiu criar um roteiro ficcional, com algumas referências do enredo original. "Enquanto no filme, Neto é um rapaz tímido, Carrano era o líder da turma."Bolognesi submeteu ainda o roteiro a cinco adolescentes, que apontaram as últimas modificações na história, como transformar Neto em um pixador. "Por isso que o filme se transformou em um trabalho do Luís e da Laís", conclui Paiva.

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