Disney troca romantismo por ação em "Atlantis"

Ao contrário do que se repetiu por nove vezes durante a última década, o estúdio Walt Disney pode ficar sem uma indicação para o Oscar de melhor canção na edição 2002 do prêmio. O novo produto de animação da casa, o ambicioso e suntuoso Atlantis - O Reino Perdido, que chega aos cinemas americanos no dia 15 de junho e aos brasileiros duas semanas depois, não tem um tema central ou romântico cantado por Phil Collins, Elton John ou Vanessa Williams. Não o tem porque a Disney está tentando algo novo em seu tradicional filme anual: um desenho de ação, com cenas de destruição e perseguição frenéticas.Três meses antes de sua estréia mundial, a Disney resolveu mostrar Atlantis na íntegra durante a ShoWest, uma convenção em Las Vegas em que, durante quatro dias, os grandes estúdios revelam aos exibidores nacionais e estrangeiros seus principais filmes para a temporada de verão. O local escolhido foi o auditório do hotel Belaggio, palco do maior show da cidade: O, do Cirque du Soleil, espetáculo circense que se passa debaixo d´água.Altantis - O Reino Perdido é o primeiro longa animado da Disney desde O Caldeirão Mágico, em 1985, a ser rodado em 70 mm, formato também usado em A Dama e o Vagabundo (1955) e A Bela Adormecida (1959). Segundo Thomas Schumacher, presidente de animação do estúdio, além de um orçamento maior, o formato da tela grande exigiu que os artistas da casa aumentassem em 20% o número de ilustrações. Também foram necessários 262 efeitos digitais na trama, trazendo de volta o que tinha sido bastante explorado em Tarzan, o deep canvas, que acrescenta profundidade e melhor acabamento de 3D no filme.A história, passada em 1914, acompanha a localização da lendária cidade de Atlântida, submersa a oeste do Estreito de Gilbatrar e retratada em dois diálogos de Platão, que descreve a ilha, e Crítias, que caracteriza sua civilização. Fazendo uma metáfora aos escritos do filósofo grego, que teria recebido tais informações de seu avô, Atlantis conta a história de Milo James Thatch (dublado pelo ator Michael J. Fox, da cinessérie De Volta para o Futuro), um jovem explorador que trabalha no setor de lingüística da Fundação Smithsonian, em Washington. Seu avô foi uma espécie de Indiana Jones e lhe deixou um livro com a exata localização desse reino perdido. Por meio de um milionário filantrópico, o trabalho de exploração do avô de Milo pôde ser continuado. Preston B. Whitmore, um velhinho chegado à ioga e dono de uma vasta coleção de objetos de arte, financia a viagem de Milo e um grupo de exploradores a bordo de submarino que lembra o descrito por Júlio Verne em 20 Mil Léguas Submarinas.Os exploradores são produtos da "correção política" da Disney: o comandante Lyle T. Rourke (voz de James Garner), um texano brutamontes; Helga Sinclair, uma alemã com voz e movimentos de Marlene Dietrich; Vincenzo "Vinny" Santorini, um italianão de bidode; Gaetan "Mole" Moliere, um monstrengo francês que (touché!) não é chegado a um banho; Wilhelmina Packard, uma telefonista ranzinza e sem classe de Nova Jersey; e Audrey Ramirez, uma latina nascida no Michigan, mas com lábios de Diana Ross e bumbum de Jennifer Lopez.

Agencia Estado,

14 de março de 2001 | 13h45

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