Disney quer voltar ao topo com compra da Pixar

Caso se confirme, o negócio colocará de novo a Disney na liderança da indústria da animação, na qual reinou durante anos, e tornará Steve Jobs seu maior acionista. Jobs é o co-fundador da Apple e está à frente dos bem-sucedidos estúdios Pixar, responsáveis por filmes como Toy Story, Procurando Nemo e Os Incríveis. O acordo pode pôr fim às tensões existentes na que foi uma das maiores alianças da indústria do cinema e que uniu o poder criativo da Pixar com o poder de distribuição da Disney, mas até o momento, nem uma nem outra companhia confirmou os detalhes da compra, estimada em US$ 6,8 bilhões.No entanto, fontes próximas ao Conselho Diretor da Disney que preferiram não se identificar asseguraram que o acordo pode ser selado hoje na reunião que acontece na Califórnia.A aliança que desde 1995 une a Disney e a Pixar continua rendendo seus frutos, como a estréia em junho de Cars, o último de uma série de sucessos. Os seis filmes que levam a chancela de ambos os estúdios, Toy Story, Vida de Inseto, Toy Story 2, Monstros S.A., Procurando Nemo e Os incríveis, arrecadaram até hoje mais de US$ 3,2 bilhões nas bilheterias do mundo todo.Além disso, todas essas produções ficaram gravadas na memória das novas gerações, assim como aconteceu há várias décadas com clássicos como Branca de Neve, Cinderela e Bambi, que fizeram da Disney uma referência em animação.Nos últimos anos, os estúdios Disney perderam sua presença no setor por não levar sua magia ao mundo da animação computadorizada. Sucessos de bilheteria como seu mais novo desenho, O Galinho Chicken Little, empalidecem frente aos filmes da Pixar. Os US$ 279 milhões que O Galinho Chicken Little arrecadou no mundo inteiro estão muito abaixo dos US$ 363 milhões de Vida de Inseto, o filme da Pixar que menos faturou em sua estréia.Ainda assim, a despeito do sucesso comercial, as críticas beiraram o insulto diante da baixa qualidade e da nula inovação apresentadas por Chicken Little.A possível compra da Pixar por parte da Disney é uma grande mudança nas negociações rompidas há dois anos da pior maneira possível, quando Jobs e o então presidente da Disney, Michael Eisner, chegaram a trocar insultos pessoais.Contudo, quando Bob Iger chegou à presidência da Disney em outubro passado, fez de sua meta conseguir um acordo. "A animação é e será a alma e o coração da Disney", prometeu Iger em novembro passado aos seus investidores.A confirmação dará a Jobs, de 50 anos, um assento no Conselho Diretor da Disney. Além disso, pode torná-lo vice-presidente da companhia, cargo que durante anos foi ocupado pelo sobrinho de Walt Disney, Roy Disney.Um acordo também selaria o que há anos foi o melhor investimento do inovador Jobs em toda a sua carreira profissional. Ele, que recentemente apostou no i-Pod e também acertou, foi capaz de ver na Pixar outro tipo de revolução ao adquirir de seu amigo George Lucas o que na época não passava de uma pequena empresa formada por aficcionados por computador.Jobs comprou a Pixar em 1986, por US$ 10 milhões. Passados 20 anos, aguarda sua venda como estúdio pioneiro de animação computadorizada por aproximadamente US$ 7 bilhões.A compra também deve trazer de volta a Disney outra grande figura cuja visão criativa é freqüentemente comparada à de Walt Disney, John Lasseter, ex-animador da Disney e que agora retornaria como fundador da Pixar e diretor de sucessos como Toy Story, disposto a restaurar a esperança perdida do tradicional estúdio.

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