Disney expõe desenhos raros no Rio

A contribuição dos Estúdios Disney para o festival Anima Mundi, que começou na semana passada no Rio e em São Paulo, é um blockbuster: a versão restaurada de Branca de Neve e os Sete Anões, o primeiro longa-metragem de animação, realizado há 65 anos e, durante décadas, a maior bilheteria do gênero. O filme será exibido na sexta-feira, no Cine Odeon, no Rio, e no dia 27 no Espaço Unibanco, em São Paulo. Os cariocas terão um brinde extra: a exposição de desenhos originais da equipe de Walt Disney, até o dia 21, no Centro Cultural da Justiça Federal, em frente do Cine Odeon.O filme narra o conto infantil de forma linear, mas Disney foi além. A partir da versão dos irmãos Grimm e de um filme mudo, embalou os sete anõezinhos cheios de charme e a gentil menina perseguida pela madrasta em temas que viraram hits, como Some Day My Prince Will Come e Heigh-Ho (a canção de trabalho dos anões). A produção durou três anos, mas ninguém fora do estúdio levava fé. Afinal, nos anos 30, cinema de animação não era considerado sério e as pessoas viviam a ressaca do crack da Bolsa de 1929 e da recessão que se seguiu.Mas foi esse o público que lotou os cinemas e garantiu um Oscar especial em 1938 para Branca de Neve e sete menores para os anões, entregues pela atriz infantil Shirley Temple. A recompensa era para uma equipe de mais de cem profissionais que realizaram inúmeras experiências até chegar aos modelos dos personagens, inclusive gravar atores de verdade para reproduzir-lhes os movimentos em desenhos feitos à mão, filmados por uma câmera inventada para a produção, que permitia a ilusão de três dimensões, na época, impossível em desenhos animados.Esses desenhos estão no Centro Cultural da Justiça, no Rio, até o dia 21, com fotos dos seus criadores e os esboços anteriores aos traços definitivos de cada personagem. São Paulo só verá a mostra se houver espaço no Unibanco entre os dias 24 e 28, pois o material, relíquia do cinema americano, raramente sai do acervo dos estúdios Disney em Los Angeles.Já a versão a ser exibida nos cinemas foi restaurada para o DVD lançado no ano passado, com os extras habituais. As cores, os movimentos e os sons ganharam mais vida ao serem reprocessados eletronicamente. Imperdível, mesmo para quem considera ultrapassada a animação que tenta reproduzir a realidade. Afinal, até um coração de gelo derrete com as lágrimas dos anõezinhos diante da Branca de Neve dada como morta. E essa é só uma das cenas, que entre tantas, emocionam nesse clássico.

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