Diretores estrangeiros tomam conta de Hollywood

Por Steven Zeitchik NOVA YORK (Hollywood Reporter) - O trailer de um novo filmeda Universal, "Wanted", tem muitas das marcas registradas de umtípico blockbuster de verão: cortes ágeis, ação cheia deefeitos especiais e Angelina Jolie sentada sobre o capô de umViper vermelho. Mas então aparecem os créditos, e vemos que o diretor éTimur Bekmambetov, cineasta russo que não chegou a ficarmundialmente conhecido com trabalhos anteriores como "Guardiõesda Noite". Bekmambetov não é exatamente o primeiro diretor estrangeiroa tentar o sucesso nos Estados Unidos. De Anatole Litvak a PaulVerhoeven e Roland Emmerich, diretores estrangeiros vêmchegando a Hollywood, vindos de países em que não se fala oinglês. Mas os diretores geralmente levam anos para ter a chance detrabalhar com uma grande produção. Já Bekmambetov simboliza a crescente confiança dos estúdiosnos diretores importados, pulando a fase do aprendizado com asproduções de baixo orçamento para cair de sola em projetos quecustam 50 ou 100 milhões de dólares. A lista de diretores que estão dando o salto de produçõeslocais para grandes produções americanas é ampla ediversificada. O francês Jean-Marc Vallee mal tinha sido notado pelopúblico americano por seus filmes em língua estrangeira, como"C.R.A.Z.Y. -- Loucos de Amor", mas isso não impediu o produtorMartin Scorsese de contratá-lo para dirigir "The YoungVictoria". A United Artists provocou sensação em Sundance quandoconfirmou que Nacho Vigalondo, o cineasta espanhol responsávelpelo independente falado em língua estrangeira "Timecrimes",vai escrever e dirigir uma adaptação de seu filme em línguainglesa. Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "JardineiroFiel", está dirigindo "Ensaio sobre a Cegueira", a grandeaposta da Miramax para 2008. E, é claro, há os "três amigos" do Festival de Cannes doano passado: Alfonso Cuaron, Guillermo del Toro e AlejandroGonzalez Inarritu, que fecharam com a Universal um acordo paradirigirem cinco filmes. "Nos anos 1960, era a Nouvelle Vague francesa. Nos anos1970, foi a geração seguinte de grandes cineastas americanos",diz Nathan Ross, da International Creative Management. "Nestadécada o foco está voltado à nova geração de diretoresestrangeiros." É claro que uma das razões que está levando os estúdios adar as boas-vindas a diretores estrangeiros é que a opção fazsentido econômico. "Você pode estar gastando bem mais com a produçãopropriamente dita, mas poupar dinheiro com o salário dodiretor, contando com o mesmo nível de talento", explica umagente. A situação atual é uma dicotomia incomum. Os filmesestrangeiros nunca antes ganharam tão pouca atenção nos EUA,mas os diretores estrangeiros nunca antes viveram uma alta tãogrande.

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