Diretores e amigos falam de Lewgoy

Diretores e amigos falam do ator JoséLewgoy. O ator morreu hoje, no Rio, aos 82 anos, de paradarespiratória. Denise Sarraceni, diretora de novelas: "Trabalheibastante com ele, como em O Tempo e o Vento, Torre de Babele Anjo Mau. Era um profissional exemplar. Estava sempre bempreparado, fazia o dever de casa, vinha com o personagem pensado como se vestia, o que falava. Era como se fosse um iniciante,acrescentando elementos novos no seu trabalho para não serepetir. Fazia cada trabalho como se fosse o primeiro. Eumostrava aos jovens atores que ele era um exemplo deprofissional, um mestre." Cacá Diegues, cineasta: "Ele é um símbolo do cinemabrasileiro. Um ator que filmou em todas as fases do cinema, dachanchada aos dias atuais, passando pelo Cinema Novo, trabalhoucom diretores de todas as gerações. Era uma pessoa adorável emuito querida. Além de um grande ator, uma pessoa muitointeligente, um cinéfilo. A última vez em que eu o vi foi napremière do meu filme, Deus é Brasileiro, há uns 15 dias, paraa qual eu o convidei. Eu estava na porta do cinema, ele chegou,saltou do táxi e disse que tinha ido até lá só para me dizer quenão poderia ficar, porque não estava se sentindo bem. Pegou omesmo táxi e foi embora. Foi um gesto muito delicado." Arnaldo Jabor, cineasta: "O Zé Lewgoy era uma pessoafantástica, uma doce figura. Um solitário que me via nos bares esentava para conversar. Percorreu todos os acordes da escala deator porque fazia tanto filmes de chanchada como histórias deShakespeare. Era um cara muito inteligente e, quando via umdiretor burro, ficava irritado." Cecil Thiré, ator e diretor: "Era um amigo muito bom,de muitos anos. Eu o conheci através de minha mãe (a atriz TôniaCarrero). Fizemos juntos Ibrahim do Subúrbio, de 1976, filmemeu pelo qual ele ganhou o prêmio de melhor ator no Festival deGramado. A última vez que o vi foi em dezembro, no supermercado.Ele me contava que Gilberto Gil seria ministro da Cultura.Estava sempre bem informado." Hugo Carvana, ator e cineasta: "O Brasil perdeu um atorexcepcional, de uma sensibilidade rara. Eu perdi um amigo, umcompanheiro de muitos anos de construção do cinema. É uma pena.O Zé estava sempre alegre.Tinha um humor corrosivo, muitopeculiar. Ficava de mau humor bem-humorado. Não admitia aburrice, não admitia a falta de sensibilidade. Ele estavamagoado porque não havia interesse da imprensa nele. Hoje em dia todo mundo é ator, você encontra um em cada esquina." Sobre ofilme Apolônio Brasil, campeão da alegria, o último deLewgoy, dirigido por Carvana: "Durante todo o filme, ele semprese divertia criticando alguma coisa, até a mim. Esse últimofilme que eu fiz é uma homenagem ao Zé. Eu quis homenagear amúsica brasileira e a chanchada.Quando o chamei, queriahomenagear a chanchada na pessoa dele." Antônio Pedro, ator: "O Lewgoy não é desses caras quemorrem, ele já é uma lenda do cinema. O cinema está marcado porsua presença. Ele continua aí. A perda pessoal é enorme. Foram20 anos. Ele era uma pessoa muito inteligente, muito culta,muito bon vivant. Tinha um mau humor fantástico." Paulo Casé, arquiteto: "Nós, amigos, perdemos um enteextraordinário.O mundo perde muito mais, principalmente emriqueza. Dificilmente, se encontrará uma pessoa com tantavirtude. Para mim, era sempre uma referência."

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2003 | 20h33

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