Diretores de "O Amor é Cego" lançam filme no Rio

Tudo começou com as cartas escritas porum amigo dos irmãos Farrelly, diretores de êxitos como Debi &Lóide, Quem Vai Ficar com Mary? e Eu, Eu mesmo eIrene. Eles achavam as cartas de Sean Moynhan tão divertidas einteligentes que o incentivaram a escrever um roteiro. Surgiu OAmor é Cego, que Bobby e Peter vieram lançar no Brasil. O filme estréia no dia 15, em grande circuito. Os irmãoschegaram ao Rio no domingo e na terça receberam a imprensa.Deram uma coletiva no Sheraton e algumas individuais noCopacabana Palace. A reportagem foi recebida pela dupla numasuíte do Copa. Estavam descontraídos. Tomaram água-de-coco, declararamseu amor pelo Brasil. "Esta cidade (o Rio) é um dos lugaresmais bonitos do mundo." E é mesmo. Do terraço do Sheraton ou dasacada do Copa vê-se apenas a beleza natural, nada dasdesigualdades sociais que se introduzem, como serpentes, noparaíso. Moynhan, o amigo dos brothers, é cego. Saía com umagarota pela qual estava apaixonado. Um amigo lhe disse um diaque ele podia conseguir coisa melhor. Moynhan disse-lhe que elehavia estragado seu dia. Poderia dizer que era a garota maislinda do mundo. Ele não poderia vê-la, de qualquer maneira. Foio embrião para O Amor É Cego. No original, chama-se Shallow Hal. Hal é oprotagonista, interpretado pelo baixinho e feioso Jack Black.Ele segue o caminho inverso das Avassaladoras de MaraMourão. Vive correndo atrás de mulher, mas só quer saber demulheres bonitas, que o desprezam. Daí o nome do filme: HalSuperficial. Graças à intervenção de um guru, ele vaidescobrir que a aparência não é tudo ou, na verdade, não é nadae o que conta é a beleza interior. Hal apaixona-se por umamulher de 136 quilos que ele enxerga, nos seus devaneios, como alinda e sexy Gwyneth Paltrow. Bobby e Peter criaram fama por seu humor politicamenteincorreto. A primeira parte de O Amor É Cego faz justiça aohumor selvagem da dupla. Gordos, aleijados, eles não poupamninguém. Depois, vão acreditando na mensagem de que aparência,ao contrário do que insiste em nos dizer a propaganda, não étudo. O filme vai ficando cada vez mais adocicado. É o mais softdos filmes dos Farrellys. E justificam: "Gostamos de ir contraa expectativa do público. As pessoas esperam determinada coisade nós, tentamos surpreendê-las sem decepcioná-las." Esse é oXis da questão, que um filme como O Amor É Cego talvez nãoresolva integralmente: como surpreender e ser soft semfrustrar? Eles explicam como é trabalhar em dupla. Fazem tudojunto: escrevem, montam. Planejam minuciosamente cada cena, masno set, com os atores, nunca são dois. Eles se dividem: ora umora outro trata com os atores. "Se fôssemos os dois poderíamosconfundi-los." Adoram as loiras: Cameron Diaz em Mary, ReneZellweger em Irene e agora Gwyneth. O produtor Bradley Thomasdiz que eles conseguem essas atrizes todas porque são grandesamantes. Os brothers riem: "Pelo contrário, somos os únicos quenão damos em cima delas." Se as mulheres são lindas em seusfilmes, os atores não são nenhuma brastemp. "Somos nós", elesdizem. Com os Farrellys, o humor é garantido. Na tela e foradela.

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