Diretores Cláudio Assis e Lírio Ferreira se desculpam após punição

Mesmo com críticas à inclusão dos filmes na suspensão, Fundação Joaquim Nabuco diz que não voltará atrás

Juliana Domingos de Lima, Especial para O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2015 | 19h20

Com a repercussão da postura dos diretores Cládio Assis e Lírio Ferreira durante o debate sobre o filme Que Horas Ela Volta? no Recife no último sábado, 29, que culminou na suspensão dos cineastas pela Fundação Joaquim Nabuco, ambos se desculparam publicamente pelo episódio.

Ao mesmo tempo, protestaram contra a punição se estender também a seus filmes. As salas de cinema da Fundaj, que promoveu o debate após a exibição do novo filme da diretora Anna Muylaert, são um espaço tradicional de exibição da produção pernambucana. 

Em entrevista ao Diário de Pernambuco, Lírio disse que suas intervenções no debate eram, na verdade, uma tentativa de elogiar o trabalho de Anna, a quem já pediu desculpas, e que está sendo crucificado no Facebook. 

À Anna Muylaert e a quem, desprovido de preconceitos, se interessar.No último sábado, por excesso de contemplação,...Posted by Claudio Assis on lundi 31 août 2015

A diretora, que já havia se pronunciado ao Estado favorável à punição mas contrária a sua extensão aos filmes, também manifestou sua posição. 

A quem interessar possa, Sendo eu o pivô da...Posted by Anna Muylaert on mercredi 2 septembre 2015

A decisão da diretoria da fundação, de acordo com o curador Luiz Joaquim, seguirá segundo declarado na segunda, 31. “A postura permanecerá a mesma, independente dos protestos e da posição da Anna. A fundação não voltará atrás, porque é uma medida pedagógica. Vai se manter firme e já declarou que não vai mais se pronunciar sobre”.

A respeito de alternativas à medida, como a promoção de ciclos de cinema e debates tratando de gênero, o curador rebate que as atividades da curadoria da fundação são sempre pautadas pela discussão do cinema aliada a algum aspecto social e continuarão da mesma forma, mas que não há programação prevista motivada pelo incidente.

Em uma postagem em seu perfil pessoal, a jornalista pernambucana Carol Almeida, presente no Cinema do Museu na ocasião, acusa a esfera do cinema pernambucano de acobertar comportamentos como o do dia 29 de agosto por parte dos cineastas. Anna Muylaert concorda com a existência da tal “brodagem”, conivente com a postura de Lírio Ferreira e Cláudio Assis, mas diz que isso também se deve ao respeito pela figura dos dois, nomes importantes do cinema posterior à Retomada.

Conhecidos por já terem protagonizado situações parecidas, a diretora diz que a posição da instituição, para alguns radical, foi uma maneira de “dar um basta, dizer ‘vocês não são os reis do cangaço’.” 


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