Gary Hershorn/Reuters
Gary Hershorn/Reuters

Diretoras no Oscar ainda são raridades, mas pioneiras têm mudado esse cenário

Em 84 anos, apenas quatro mulheres concorreram ao Oscar de direção. Uma delas, conquistou esse prêmio

Marcio Claesen, estadão.com.br

22 Fevereiro 2012 | 17h24

A disputa ao Oscar de diretor em 2010 tinha tudo para ser emocionante e histórica. E de fato, foi.

De um lado, James Cameron, responsável pelo segundo filme mais visto na história, Avatar. Do outro, Kathryn Bigelow, com o modesto Guerra ao Terror, que à época do prêmio só estava disponível em DVD nos Estados Unidos. Davi contra Golias. O cinema espetáculo em 3D contra um pequeno filme sobre a guerra no Iraque. A esposa contra o ex-marido - eles foram casados no final dos anos 1980, e teria sido Cameron a incentivá-la a dirigir.

Kathryn era apenas a quarta mulher indicada nessa categoria na história do prêmio e triunfou. Foi o primeiro filme dirigido por uma mulher a levar o Oscar de melhor filme e a primeira diretora premiada com o Oscar de direção. Aos 58 anos, Kathryn entrava para a história do prêmio.

 

 

Para entender a conquista da diretora, basta lembrar que apenas em 1977, apenas após 48 anos que o prêmio existia, que uma mulher, mais precisamente uma italiana, conquistou uma vaga entre os cinco diretores do ano. Ela foi Lina Wertmüller, pelo longa Pasqualino Sete Belezas. Apesar de ter tido Alan J. Pakula (Todos os Homens do Presidente), Ingmar Bergman (Cara a Cara) e Sidney Lumet (Network - Rede de Intrigas) pela frente - já que misteriosamente Martin Scorsese não foi indicado por Taxi Driver - perdeu justamente para o mais fraco dentre os indicados, John G. Avildsen, por Rocky - O Lutador.

 

 

Foi necessário passar mais 17 anos para que uma diretora fosse lembrada mais uma vez nessa categoria. Novamente, a indicação não foi para uma norte-americana. A neozelandeza Jane Campion conquistava o respeito da crítica e era aclamada pelo delicado O Piano. Bons nomes a acompanhavam na categoria (Robert Altman, James Ivory, Jim Sheridan), mas nenhum tinha a mínima chance perto de Steven Spielberg, que após duas décadas arrebatando públicos e bilheterias mundo afora, recebia, enfim, o certificado de excelência da Academia premiando-o por A Lista de Schindler.

 

 

Em 2004, após infruntíferas investidas de Barbra Streisand para conquistar uma indicação a melhor diretora, uma norte americana bem mais jovem emplacava uma vaga entre os cinco melhores do ano. Superestimada, Sophia Coppola - filha de Francis Ford Coppola, que ganhou a categoria duas vezes - foi indicada por Encontros e Desencontros. Fernando Meirelles (e sua surpreendente indicação por Cidade de Deus) era um de seus concorrentes, assim como Peter Weir (Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo) e Clint Eastwood (Sobre Meninos e Lobos). Apenas coadjuvantes na festa que consagrou Peter Jackson por O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei).

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