Diretora do Dogma quebra regras em "Brothers"

Sete anos se passaram desde o estrondoso lançamento de Festa de Família, o primeiro filme certificado pelo manifesto dinamarquês Dogma. Hoje está claro que seus rígidos mandamentos estéticos foram um grande golpe publicitário para promover o cinema do país - o que não tira os méritos da iniciativa.E agora que Lars von Trier (Manderlay) e Thomas Vinterberg (Querida Wendy), precursores do grupo, já não seguem à risca as regras que criaram, outros remanescentes também tomam muitas liberdades. É o caso da diretora Susanne Bier, que apresenta Brothers. Michael (Ulrich Thomsen) é um pai de família responsável e um militar prestigiado. Quando ele chega ao Afeganistão para integrar as forças de paz da ONU, seu helicóptero é abatido. Sarah (Connie Nielsen), sua mulher, recebe a notícia de sua morte e quem aparece para confortá-la é o cunhado, Jannik (Nikolaj Lie Kaas), um ex-presidiário, até então visto como ovelha negra da família. Na primeira parte, a história é narrada de maneira dinâmica e começa a costurar uma crítica política bastante contundente. Depois segue por um caminho totalmente diferente, acentuando o melodrama. Ainda que conduzido de maneira competente, o filme acaba perdendo um pouco seu foco. A maior qualidade de Susanne Bier é mesmo a direção de atores, como já havia demonstrado em seu trabalho anterior, o drama Corações Livres - que, aliás, ganhou o selo do Dogma. Se antes a cineasta já não era tão radical quanto aos preceitos do movimento, agora ela se rende até a uma melancólica trilha sonora. Brothers (Brodre, Din/2004, 110 min.) - Drama. Dir. Susanne Bier. Com Connie Nielsen, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas. 14 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.