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Diretora de 'Uma Dobra no Tempo' quer um pouco de doçura no mundo

Filme de Ava DuVernay é um marco e traz atrizes negras na luta do bem contra o mal

Mariane Morisawa   ESPECIAL PARA O ESTADO, LOS ANGELES

31 Março 2018 | 06h00

Uma Dobra no Tempo é um marco: pela primeira vez, uma produção de mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 333 milhões) foi dirigida por uma mulher negra, Ava DuVernay, de Selma – Uma Luta pela Igualdade.

Oprah Winfrey, que foi produtora e atriz de Selma e interpreta a Sra. Qual no novo filme, afirmou ter ficado orgulhosa da amiga. “Estamos numa situação completamente diferente de Selma, temos a máquina da Disney por trás. Por isso é empolgante, porque Ava DuVernay está no comando dessa máquina. Isso preenche meu coração. Vê-la no meio de um monte de homens, dando as direções, no meio de equipamentos enormes, sendo a mestra, foi poderoso e inspirador. Ela reforça aquela parte de nós que sabe que nós mulheres negras sempre fomos capazes de fazer isso”, afirmou Oprah.

DuVernay ficou encarregada de adaptar para o cinema, com ajuda da roteirista Jennifer Lee (de Frozen), o livro de Madeleine L’Engle, um clássico da literatura infantojuvenil nos Estados Unidos. “Uma Dobra no Tempo é um livro único”, disse Jennifer Lee em entrevista ao Estado, em Los Angeles. “Precisávamos de alguém que não tivesse medo de contar a história como se deve. E Ava não tinha. Ela realmente abraçou o que propus e me desafiou também. Tivemos as conversas mais incríveis, de experiências infantis até as teorias de Einstein.”

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Na trama, a adolescente Meg Murry (Storm Reid), sofrendo com o sumiço do pai, um cientista (Chris Pine) que pesquisava uma maneira de viajar no tempo, recebe a visita de três figuras mágicas: Sra. Queé (Reese Witherspoon), Sra. Qual (Oprah Winfrey) e Sra. Quem (Mindy Kaling). Junto com o irmão mais novo, Charles Wallace (Deric McCabe), e seu amigo, Calvin O’Keefe (Levi Miller), ela parte numa jornada para reencontrar o pai. 

DuVernay, que dirigiu também o documentário A 13.ª Emenda, de 2016, reuniu um time de feras, como deu para perceber. “Eu nem esperei meu agente me dizer o que era, quando ele disse ‘Ava DuVernay’, aceitei na hora”, contou Witherspoon. Oprah ouviu falar de uma viagem à Nova Zelândia, onde o longa foi parcialmente rodado. “Disse que estava indo! Simplesmente porque eu posso”, afirmou a poderosa apresentadora. “Só então Ava me ofereceu para ler o roteiro, porque eu falei que faria sem nem saber o que era.” Mindy Kaling, conhecida por seus papéis em comédia, como na série The Office, tinha conhecido DuVernay numa festa em homenagem à ativista paquistanesa ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2014 Malala Yousafzai. “Ava, Malala e eu éramos as únicas não brancas. Ficamos conversando”, contou a atriz. “Nunca imaginei que fosse dar nisso. Sou só uma atriz de sitcoms.”

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A diretora e roteirista californiana Ava DuVernay apostou na diversidade, transformando personagens brancas em não brancas, a começar por Meg. “Conversamos muito sobre as garotas que assistiriam ao filme”, disse a diretora. “Mas Zach Galifianakis, que faz o personagem Meio Feliz, que é capaz de ver através do tempo e do espaço, foi o primeiro a dizer que é uma produção que os meninos deveriam ver também. Os meninos precisam perceber que podem ser vulneráveis, que podem seguir a liderança de uma menina, que não precisam ser machões”, aconselha o ator. 

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Com Uma Dobra no Tempo, o objetivo de Ava DuVernay, que falou principalmente de racismo em seus trabalhos anteriores, foi um só: “Queria oferecer um pouquinho de doçura para o mundo, porque é uma época difícil. Esse filme me salvou de certa forma de cair em buracos negros”. 

Para Oprah Winfrey, é importante manter a esperança. “Se a gente deixar, a escuridão toma conta. Precisamos de um pouquinho de luz para combater a escuridão”, acrescenta. 

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