Haroldo Borges
Haroldo Borges

Diretora de 'Jonas e o Circo Sem Lona' comemora sucesso do filme

Longa-metragem de Paula Gomes tem conquistado fãs nas redes sociais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 Março 2017 | 04h00

Paula Gomes conversa pelo telefone, de Salvador. É a diretora de Jonas e o Circo Sem Lona, que estreou na quinta, 16. O filme integra a Sessão Vitrine. Está em cartaz, em horários alternativos, em 20 capitais (e grandes cidades brasileiras). São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, etc. Há pouco menos de um ano, Jonas fez sua estreia no É Tudo Verdade. A acolhida, do público e da crítica, foi generosa. Jonas é um filme belíssimo.

Apesar do lançamento pequeno, o filme tem acontecido nas redes sociais. “As pessoas me localizam no Face e me mandam mensagens emocionantes. Achei que estava fazendo um filme sobre circo, mas Jonas é outra coisa. Através do circo, é um filme sobre a importância de sonhar. O que acontece com nossos sonhos quando crescemos? Agora mesmo recebi essa mensagem linda no Face. Uma pessoa, uma mulher, me agradecendo por lembrar a ela que os sonhos não morrem...”

Foi há 11 anos – em 2006, Paula iniciou uma pesquisa sobre circos. “Viajei três meses pelo Nordeste visitando 35 circos.” Queria fazer um curta. “É impressionante como todo mundo me perguntava se seria felliniano...? Fellini criou um estigma para a abordagem do circo no cinema.” Durante sua pesquisa, Paula conheceu a mãe de Jonas. “Ele queria seguir a tradição circense da família, a mãe sonhava com uma educação formal para o filho.” E, então, um dia, o próprio Jonas telefonou para Paula. “Vem ver o meu circo.” Jonas montara, com amigos – e utilizando restos –, um circo no quintal de casa. “Foi uma coisa mágica. Imediatamente percebi que tinha um filme, o filme que queria fazer, naquele quintal.”

O processo foi muito rico. “Ganhamos um patrocínio do Tribeca e fomos desenvolver o filme com a ajuda de consultores em Nova York.” Houve outras consultorias – na Europa. E Paula filmava. No filme, Jonas monta o circo no quintal. Tensões explodem – o filme o segue na escola. Os professores reclamam da falta de atenção. Cinema nas bordas. Documentário, com um perfume de ficção. Uma ficção documental. Paula surpreende-se. “Durante todo o processo me perguntava se esse filme tão pequeno, tão local, tão nordestino, iria interessar às pessoas?” Jonas ganhou o mundo, foi para mais de 20 países. “Uma TV da Coreia do Sul acaba de comprar o filme. Imagine... A Coreia do Sul, tão distante. O belo do cinema é que toca as pessoas de uma maneira que você nem imagina.”

Como a realidade é dinâmica, a história continua – para além do filme. Jonas agora integra o elenco de uma companhia de teatro de Salvador, a Cia. Novos Novos. O circo ficou para trás – gravado para sempre na tela. “Fiz outro filme e o Jonas foi assistente de câmera. Ele está interessadíssimo na fotografia de cinema.” É um menino cativante. “Todo mundo acha. Não tem um lugar em que o filme passe e as pessoas não sejam tocadas pelo Jonas.”

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