Diretora Canadense surpreende no festival de Locarno

Os canadenses de língua francesa sabem fazer cinema, isso já foi provado em diversas ocasiões, e, se torna evidente, no Festival de Locarno. É fácil se identificar a procedência do filme canadense-francês: é pelo sotaque carregado, pois isolados, os canadenses do Quebec mantiveram um modo antigo de falar francês e sofreram influências locais. Na competição do Festival, onde se tornam escassos os bons filme, se destacou Família, da canadense Louise Archambault. Embora tenha uma filha de apenas três meses, Louise se arriscou a fazer um filme sobre as relações familiares, que não deve estar muito longe da realidade, embora sua conclusão possa parecer apressada - a de que uma boa parte do caráter dos pais se reproduz de uma maneira quase hereditária. Pelo menos suas personagens mostram isso.Uma mãe família viciada no jogo e uma adolescente engravidada, na história, são a constatação - explicou ela - de que aumenta o número de mulheres americanas viciadas no jogo e a iniciação sexual cada vez mais cedo, motivada não tanto pela necessidade física, mas incitada por fatores externos e praticada por curiosidade e competição. ?De qualquer maneira, é um sexo sem qualquer sentimento e mecânico?, diz ela. ?Não se pode impedir que certos comportamentos dos pais se reproduzam nos filhos. Só mesmo não tendo filhos. Porém, a melhor solução é mesmo a de aceitar esse tipo de herança, pois tendo-se consciência pode-se desenvolver sua identidade e se tornar uma pessoa inteira. Assim, o passado, em lugar de constituir um obstáculo à nossa evolução, tornar-se uma força?.Louise trata também , no seu filme, do possível acesso das crianças à pornografia pela Internet, mas sem considerar traumatizante - ainda imaturas, suas personagens adolescentes (pelo menos no filme) não tendem exatamente o que vêem.

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