Diretor quer filmar história de Manuel Puig

Depois de Borges, Puig. O escritor e cineasta argentino Javier Torre, diretor de Um Amor de Borges, sobre o escritor Jorge Luis Borges, já cuida de um novo projeto "literário". Quer contar a vida do escritor Manuel Puig e realizar o filme no Brasil. Seu Um Amor de Borges, vencedor da seleção latina do Festival de Gramado, estréia hoje.Como o público argentino reagiu a Um Amor de Borges? Ele é um nome profundamente familiar em seu país. Isso faz com que cada argentino tenha imagem e opinião pessoal sobre ele. Javier Torre - Meu filme fracassou na Argentina. Teve pouco público. Para mim, foi muito doloroso ter êxito no exterior, ganhar 14 prêmios, ver o filme vendido para exibição nos cinemas e canais de TV de vários países. Mas é coisa do destino. Os filmes têm seus destinos traçados desde que são concebidos.Você presta mais atenção na falta de jeito de Borges para o amor físico e no sentimento edipiano dele por d. Leonor do que nos desentendimentos dele com o peronismo. Por quê?Eu quis fazer um filme sobre a sensibilidade, o amor perdido, a solidão, o desencanto, a tristeza. Também sobre um homem de cultura clássica que se enamora por uma mulher muito mais jovem, fracassa e sofre muito. É uma história muito simples e bonita, além de nostálgica. A história edipiana de Borges com a mãe me pareceu muito especial. Dona Leonor é uma mãe que inibe o filho em muitos sentidos, mas que lhe oferece o grande sentido da literatura, da nobreza de viver e da honradez.Poderia falar do novo projeto? Quero realizar meu novo filme no Brasil. Trata-se de outro projeto "literário". Desta vez, sobre a vida de Manuel Puig no Rio. O roteiro do filme é meu e está em fase final de acabamento. Espero filmá-lo em co-produção com a França. E, quem sabe, com parceiros brasileiros.Como fazer para ver mais filmes argentinos no Brasil e vice-versa? Espero que um grande mercado comum venha a nos unir. Seria maravilhoso estabelecer esse grande mercado, ainda que pareça utópico. Às vezes, os sonhos se realizam. Essa união geraria uma indústria poderosa. Como vai o cinema argentino? Os últimos dados mostravam taxa de ocupação do mercado interno próxima dos 20%. O cinema argentino ia muito bem até o fim do ano passado. Agora, estamos vivendo momentos de muita angústia e incerteza.

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