Diretor inglês grava documentário sobre Carmen Miranda

O diretor inglês Paul Bullok ficou surpreso com a popularidade de Carmen Miranda no Brasil, 51 anos após sua morte, completados no último sábado (5 de agosto). Ele esteve no Rio na semana passada para gravar um documentário sobre a Pequena Notável, com duração de 60 minutos, para ser exibido no fim do ano. "Pontos da minha pesquisa, como a paisagem em que ela viveu, a praia, as palmeiras, o Pão de Açúcar e o calor dos cariocas se confirmaram, mas eu não sabia que até hoje as mulheres daqui usam salto plataforma e se vestem como ela e tantos artistas cantam seu repertório", disse Bullok ao Estado, antes de gravar na Confeitaria Colombo, centenário restaurante do centro do Rio, cenário de parte da vida da cantora.O documentário faz parte da série "Legends" (lendas, em inglês) que é exibida no canal 4 da BBC, dedicado à cultura. Já foram feitos filmes sobre Mario Lanza, Edith Piaf e Josephine Backer. "Na Grã-Bretanha, quando se fala em Carmen Miranda, pensa-se em frutas. Os jovens e as pessoas da minha geração conhecem seus filmes, mas não sua atuação como cantora e no palco. O filme busca saber quem foi ela, o que representou no passado e hoje em dia."A pesquisa de Bullok partiu da biografia dela escrita por Ruy Castro (um dos entrevistados do documentário) e da orientação do professor de cinema, João Luiz Vieira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que falou sobre seus filmes brasileiros, a maior parte deles perdida. "Eu conhecia os títulos de Hollywood e me encantei com Alô, Alô! Carnaval e o trailer de outro. A partir desses filmes, compreendi por que ela encantou os americanos já em sua primeira aparição na Broadway, no musical Streets of Paris", contou o diretor, especializado em documentários e musicais de vários gêneros.Além de Ruy Castro, ele falou também com a atriz Marília Pera (cujo espetáculo sobre Carmen Miranda foi sucesso no Rio e São Paulo), Ney Matogrosso (que grava seu repertório desde que começou carreira solo há 30 anos e dedicou-lhe o disco "Batuque"), a sobrinha da cantora, Carminha, e o curador da exposição lembrando os 50 anos de sua morte, que esteve no Rio (no fim do ano passado) e São Paulo (em março e abril deste ano).Dos 60 minutos, metade será dedicada à carreira brasileira e a outra parte à carreira internacional da cantora.

Agencia Estado,

10 de agosto de 2006 | 11h00

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