Truque Produtora de Cinema
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Diretor Edgard Navarro diz que seu filme 'Abaixo a Gravidade' pode ser o último

Grande autor contestador, o baiano lança novo filme e explica por que ‘Abaixo a Gravidade’ poderá ser o último

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2019 | 03h00

Grande diretor baiano, Edgard Navarro fez sempre um cinema irreverente, de contestação, que os críticos convenientemente colocaram num nicho. Helena Ignez e o próprio Rogério Sganzerla nunca gostaram da definição de ‘marginal’. Helena, no filme sobre ela, dirigido por sua filha, Sinai Sganzerla – A Mulher da Luz Própria –, insiste no conceito do cinema autoral, independente. Navarro não tem tanto problema para se assumir como marginal. Em Abaixo a Gravidade, que estreou na quinta, 1.º, Everaldo Pontes, como Bené, vaga pela noite de Salvador, por lugares que a maioria das pessoas talvez considerasse pouco recomendável. O próprio Navarro faz troça, numa entrevista por telefone.

“Caminhar é uma forma de organizar o pensamento”, diz a cartela do filme, à maneira de legenda. “Sempre gostei dessa sensação de liberdade, nunca me prendi a nenhum preconceito, sobre o que pode e não pode. Sou aquele garoto de Eu Me Lembro, que afronta o pai conservador dizendo – ‘Sou uma p...!’ O incrível é que fiz esse filme há quatro anos, com a liberdade de sempre. Não imaginava que, ao lançá-lo, o Brasil estaria vivendo esse momento. Do meu começo para cá, sinto que estou num retrocesso de 50 anos, vendo e ouvindo o que essa gente diz. Sinto que, desse jeito, Abaixo a Gravidade poderá ser meu último filme. Acho que meu futuro será escrever os filmes que não vou conseguir fazer.”

Qual é a origem desse Bené? “É o personagem de SuperOutro, de 1989 – há 30 anos –, antes de se jogar do Elevador Lacerda, em Salvador. E ele também nasce das minhas leituras de Nietzsche. A gravidade puxa para baixo. Metaforicamente, estamos vivendo esse momento. Política, cultura, humanidade, tudo para baixo, achatado. E o movimento do meu filme, antes mesmo de saber que estaríamos vivendo isso, é o oposto. Abaixo a gravidade. O anseio do homem é para cima, é voar.”

Na parede da igreja, o grafite – Exu te ama. “Sou pelo sincretismo, sempre fui.” Everaldo Pontes, que faz o papel, é um grande ator. Brilhou em Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry, de 2013. “É curioso que você me cite esse filme, porque foi justamente o que vi quando iniciei o processo de pensar quem poderia ser o Bené. Gostei demais do Everaldo e, quando liguei para ele, Everaldo me disse que amava meu cinema, mas nunca pensou que um dia poderíamos trabalhar juntos. Nossa sintonia foi total, dois marginais querendo passar por cima dessa loucura toda para voar.” E Rita Carelli? “A Rita foi a única personagem cujo nome mudou, do roteiro para o filme. Virou Letícia, de alegria. É o maior elogio que lhe posso fazer. Rita é luminosa, é luz.”

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