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Diretor do divertido filme 'O Novato' se inspirou em experiências pessoais

"Terminei me voltando para minha experiência pessoal", disse Rudi Rosenberg, sobre o longa que estreou no Brasil no dia 20

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2017 | 04h00

Numa entrevista por telefone, de Paris, o diretor Rudi Rosenberg disse que seu filme O Novato – que estreou na quinta, 20, no Brasil – nasceu de um longo processo de reflexão. “Pode parecer presunção dizer isso. Afinal, uma comédia sobre pré-adolescentes... Mas, na verdade, há muito tempo eu queria abordar o tema dos complexos, que todo mundo tem e sente, mas justamente por ser uma coisa dolorosa queria fazer um filme leve, divertido. Terminei me voltando para minha experiência pessoal.”

E Rosenberg contou que, quando sua família se mudou do interior para Paris, ele custou a ser aceito na escola. “Eu era o pária. Sofri bullying, mas consegui sobreviver. Por que não contar essa história em filme?” A trama de O Novato conta justamente isso – o garoto que se sente um estranho no ninho e termina se ligando aos rejeitados da escola. “Essa é a história, e para torná-la engraçada eu recrio todas aquelas besteiras que fazia com meus amigos. Quando jovem, a gente não tem noção. Só que o riso não deve ser inconsequente. Para mim, O Novato é sobre como a gente precisa se liberar do olhar do outro. Benoit, o protagonista, descobre seu jeito de brilhar. E o filme mostra como é importante socializar sem discriminação.”

O longa nasceu do desenvolvimento de um curta, mas Rosenberg diz que era importante não ‘esticar’. “No começo, quando me lancei ao projeto, queria um grupinho de rejeitados da sociedade, mas depois pensei que talvez fosse interessante incluir entre eles alguém que fosse ‘handicapé’, com algum problema físico. Foi assim que surgiu Aglaé. A partir daí, dei-me conta da responsabilidade social. Era importante que o público risse com esses meninos e meninas, não deles. Acho que atingi o objetivo, porque O Novato foi premiado em San Sebastián e, para um pequeno filme, fez ótima bilheteria na França.” 

Rosenberg reconhece que a interação do elenco foi decisiva. “Fiz um ‘casting’ longo, testando os atores individualmente e vendo se funcionavam como grupo.” Réphaël Ghrenassia, o Benoit, é muito bom e Max Boublil, que faz o tio Greg, foi o amigo de infância e juventude com quem Rosenberg fez as tais ‘besteiras’, incluindo a falsa bebedeira de O Novato. De definitivo, ele diz – “Me agrada que Benoit no filme se libere. Conheço gente de 30 e mais anos que ainda não fez isso...”

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