Diretor de 'Superpai' se inspirou em obra de Fellini

É impossível não rir com a ótima Dani Calabresa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2015 | 20h29

Agora que todo mundo já bateu à vontade em Superpai – o filme estreou em 330 salas e, para não fugir à regra, foi chamado de grosseiro, televisivo e outros adjetivos com que a crítica desqualifica o cinema brasileiro ‘de mercado’ –, talvez se possa lançar um olhar diferenciado sobre o novo filme de Pedro Amorim. O filme, não a comédia. Pedro reconhece – “Se tivesse feito com Leandro Hassum, o público provavelmente riria mais, porque é a praia dele. Mas o que me motivou foi a história, não necessariamente, o humor.”

A própria escolha de Danton Mello para fazer o protagonista ratifica a escolha. “Posso até fazer humor, mas não me considero comediante. Sou um ator que busca a verdade dos personagens.” E qual é a verdade do superpai? O filme é sobre esse homem que descuida da mulher, do filho, que ganha dinheiro jogando na esquina e que a vida inteira lamenta não ter feito sexo com a garota mais desejada da escola. Agora, a festa da turma se aproxima. É hoje! Ele espera matar o desejo acumulado, mas a sogra tem um mal súbito, a mulher precisa socorrê-la e o herói, como pai, tem de cuidar do filho.

Ele deixa a criança numa creche noturna, envolve-se em confusão na festa e depois passa o filme inteiro tentando recuperar o filho. No processo, descobre uma rede de abuso infantil e trabalho escravo. Continua centrado na busca do filho ou (re)age. Os amigos de escola o acompanham. A galinha da turma, que se regenerou, outro que também acha sua vida uma porcaria – mas diante da de Danton até pensa estar bem - que se regenerou - e o negro. A participação de Thogun Teixeira é decisiva. “Thogun diz que é a primeira vez que não empunha a arma e não mata ninguém”, diz Amorim. “O personagem é bem sucedido, até a opção sexual é subversiva, no sentido de ir contra o estereótipo.”

Amorim ensaiou com os atores durante um mês para achar o tom. Por menos humor que tenha o filme - mas é impossível não rir com a ótima Dani Calabresa -, tem de haver um equilíbrio entre o estilo de cada ator e as situações dramáticas. Pois é de drama que estamos falando. Esse bando de adultos infantilizados é cria de Os Boas Vidas, de Federico Fellini – “Pensava no filme o tempo todo”, palavra do diretor. No final, Danton descobre que viveu uma ilusão, buscando um sonho que não significa nada. E acorda para o que é importante. O roteiro é de dois norte-americanos. “Uma amiga me falou dele, e eu gostei. Nos EUA, era considerado incorreto e o personagem, mais fdp. Procurei dosar, porque o que me interessa são os relacionamentos”, diz o diretor. Vale lembrar que Pedro Amorim, irmão de Vicente, dirigiu Mato sem Cachorro, com Bruno Gagliasso.

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