Mario Anzuoni/Reuters
Mario Anzuoni/Reuters

Diretor de 'Pantera Negra' não imaginava que estaria vivo aos 30 anos

No Festival de Cinema de Cannes, onde Ryan Coogler foi ovacionado, ele disse que 'estava cansado dos comics sobre super-heróis brancos onde os negros só estavam lá de complemento'

AFP

10 Maio 2018 | 23h38

O diretor do filme Pantera Negra, Ryan Coogler, declarou nesta quinta-feira, 11, que "nunca imaginou" que viveria até os 30 anos, já que cresceu em uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos.

Em Oakland, "a morte está constantemente ao nosso redor, até o ponto em que nos sentimos cômodos com isso", declarou o diretor afro-americano de 32 anos durante o Festival de Cannes, onde recebeu uma ovação.

"Quando completei 30 anos, quase tive uma crise porque nunca imaginei que chegaria a essa idade... 25 é um número mágico. Nessa idade você está morto ou na prisão", disse.

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"Vi muitos casos de pessoas boas que não passaram dessa idade, ou estavam na prisão ou tinham sido assassinadas", disse ante uma audiência numerosa, na qual estava o diretor haitiano Raoul Peck, cujo documentário Eu Não Sou Seu Negro foi indicado ao Oscar no ano passado.

A superprodução dirigida por Coogler, Pantera Negra, tem um elenco composto quase integralmente por atores negros e liderado por Chadwick Boseman, que dá vida ao primeiro super-herói não branco que protagoniza um filme.

O filme do estúdio Marvel, que foi exibido em uma praia de Cannes esta semana, gerou mais de um bilhão de dólares nas bilheterias mundiais, tornando-se uma dos 10 filmes com maior arrecadação da história.

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"Estava cansado dos comics sobre super-heróis brancos onde os negros só estavam lá de complemento", explicou Coogler.

No universo da Marvel, Pantera Negra dirige a nação africana fictícia de Wakanda, um país rico e nunca colonizado, que rompe os estereótipos sobre o continente.

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"O tráfico de escravos representou uma espécie de morte para nós, a morte de quem éramos. Quem somos agora nasceu quando acorrentaram nossos ancestrais", disse Coogler aos presentes.

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"O filme tinha a ver com reconhecer isso e recuperar também essa parte da história".

Esses comentários chegam dias depois da polêmica causada pelo rapper americano Kanye West, que descreveu a escravidão dos afro-americanos durante séculos como uma "escolha".

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