Hans Georg
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Diretor de 'Minha Mãe É Uma Peça', André Pellenz lança no streaming 'Espetaculares'

O road movie aborda o universo do stand up, inspirado em comédias italianas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2020 | 05h00

André Pellenz, seu nome é sucesso. Ele dirigiu Minha Mãe É Uma Peça, o primeiro da série, e embora Paulo Gustavo tenha virado a maior bilheteria do cinema brasileiro – um fenômeno! –, Pellenz reconhece sua marca no filme. “Sou louco por comédias italianas e coloquei muitas referências lá dentro.” Depois veio Detetives do Prédio Azul, numa outra faixa de público, mas que também foi um belo sucesso. Só os dois fizeram mais de 6 milhões de espectadores.

Pellenz tinha um novo filme para estrear, mas foi atropelado pela pandemia do novo coronavírus. “Os Espetaculares deveria ter estreado em junho, mas aí parou tudo. Com a reabertura das salas em Manaus, o filme estreou, e foi bem. Por aqui, já está no streaming. Aborda o universo do stand up. Teve um ponto de partida curioso. Ele tem filho de 12 anos, o Artur. “Um dia estava conversando com ele e perguntei o que achava de ter um pai diretor de cinema. Se era normal para ele. A resposta me surpreendeu. “Não, não é normal.” Eu era diferente de todos os pais de amigos dele. Fiquei com aquilo martelando em minha cabeça.”

E esclarece: “Tenho um projeto grande, inspirado numa história real de minha família. Meu pai tinha um irmão que foi tentar a vida no garimpo do Pará. Ele morreu por lá e o meu pai foi buscar o corpo. Atravessou o Brasil inteiro com o caixão para enterrar meu tio em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. O filme, 830 Litros, conta as histórias dessa viagem.” Meio parecido com o cubano Guantamera, de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, não é? Com certeza, até porque Pellenz diz que o filme não será propriamente uma comédia, mas um road movie. “Um choque brutal de cultura, de Norte a Sul do Brasil, até as raízes da colonização alemã no Rio Grande do Sul.”

Foi aí, no vácuo do 830 Litros, que Os Espetaculares começou a nascer. “O cinema conta muitas histórias de crianças e adolescentes, mas não na faixa de 12 anos, do meu filho. Também queria muito fazer um filme com o Paulo Mathias Jr., que é um ator maravilhoso e um cara muito bom. Todos os diretores o conhecem e o admiram. É um cara fácil de trabalhar. No início, não sabíamos, a Sílvia (produtora) e eu, que filme queríamos fazer, se uma ficção ou documentário. Havia a vontade de fazer um filme sobre quem faz humor. Nosso comediante, ao contrário do Paulinho, é difícil de trabalhar. Tem esse filho de 12 anos. O filme começou a andar. Agregamos o Rafael Portugal, que está num momento muito bom da carreira dele, como um cara que não gosta de comédia. O concurso de stand up terminou vindo naturalmente.”

Os concorrentes são cômicos de stand-up de verdade. “É a forma mais pura de humor que existe. O sujeito, ou a mulher, não importa o gênero, está lá sem cenário, até sem personagem, só ele, ou ela, diante do público. É uma coisa minimalista, e às vezes o que funciona no palco não pode ser transferido para a tela, porque não funciona. Um cômico sem graça é uma coisa constrangedora, horrível.”

Como diretor, Pellenz tem um discurso bastante crítico. “Tem gente que acha que o público não gosta de filme brasileiro, e até coloca esse produto num nicho, como se fosse um gênero. A história de que o espectador só quer ver filme brasileiro de comédia não é verdadeira. Existem as comédias que arrebentam na bilheteria, mas também tem o Bacurau, que bateu nos 800 mil espectadores, e é um número superior ao de muita comédia. Você pega Tropa de Elite, 2 Filhos de Francisco, Bruna Surfistinha, Central do Brasil. Não são comédias, mas o público vai e se identifica. Eu sou pela diversidade.”

Pellenz espelha essa diversidade com um filme dentro do filme dirigido por ninguém menos que Neville D'Almeida: “É a minha homenagem. Na verdade comecei com o Neville, fui assistente dele”, conta. Seu longa foi feito para passar no cinema e, por isso, Pellenz ficou contente com o desempenho em Manaus. “Mas esse país é muito grande, as realidades são muito diversas. É claro que gostaria de ver o filme nos cinemas do Rio, onde moro. Mas aqui, ao contrário de Manaus, quando entrou (o filme), as condições ainda não estão seguras, por isso estamos no streaming.” 

Seu nome, além de sucesso, também é trabalho. Pellenz não para. Em pleno isolamento da pandemia, conseguiu fazer um filme remotamente – Fluxo, dirigido à distância, pelo Zoom, os atores em suas casas. “É um momento de se reinventar. Ainda não sabemos como será o retorno, o novo normal após o coronavírus. O que não dá é para parar.”

 

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