Diretor de "Mendy" aprova Festival de Cinema Judaico

Seu nome é bíblico, Adam Samuel Vardy. É o diretor de Mendy, um dos filmes mais interessantes que compõem a programação do Festival de Cinema Judaico de São Paulo, que termina amanhã à noite com a entrega dos prêmios do júri para os melhores do evento promovido pela Associação Brasileira A Hebraica e pelo Centro de Cultura Judaica, em cuja sede, na Rua Oscar Freire, será realizada a cerimônia. Vardy está na cidade desde a segunda-feira. Fica até terça. Seu filme será exibido amanhã e domingo.Foi em 1997 que ele leu a reportagem publicada em The Village Voice. Descobriu imediatamente que dali sairia a história que queria contar. A reportagem trata de judeus ortodoxos de Nova York, representantes da comunidade hassídica. Mostrava como vários deles, abandonando os preceitos da religião, caíam no chamado mundo secular. Desaparelhados para enfrentar o mundo - muitos não falavam sequer o inglês e todos viviam assustados diante das tentações do mundo real -, tornavam-se displaced persons, verdadeiros párias, amaldiçoados pela comunidade e pelos não-judeus. "Eram histórias tristes. Muitos tornaram-se dependentes de drogas e de sexo", conta Vardy, de 38 anos. Filho de judeus ingleses, ele foi criado no Estado de Israel longe dos preceitos do judaísmo tradicional. Vardy trocou Israel por Nova York, o que é sempre um choque - morar na capital cultural do mundo. "Quando li a reportagem, identifiquei-me com aquelas pessoas tão deslocadas, mesmo que a minha história não fosse a deles." Começou um longo trabalho. A primeira intenção de Vardy era fazer um documentário - ele trabalha como cinegrafista, fazendo reality shows e documentários para o canal Discovery, por exemplo. O documentário não andava, mas Vardy conheceu esse cara, Heshey Schnitzler, um dos personagens da reportagem do Village Voice. Em 2000, começaram a trabalhar no roteiro de uma ficção, que virou Mendy. O roteiro ficou pronto em 2001, Vardy filmou em 2002. A maioria das locações foi no Brooklyn, mas as necessidades dramáticas de Mendy trouxeram Vardy ao Brasil, mais exatamente ao Recife. "Sabia que aqui havia a sinagoga mais antiga da América. Queria incorporá-la ao filme." Incorporou mais - Mendy tem uma atriz brasileira (Gabriela Dias), música brasileira (Meu Coração Vagabundo). O diretor está adorando o Festival Judaico de São Paulo, que abriu espaço para a produção de cineastas palestinos. Ele sabe que a situação no Oriente Médio é complicada. Acha que a solução seria se houvesse também um Estado palestino. "É um conflito por terras que os ortodoxos de ambos os lados travestiram de religião. É como a América de Bush. Usam patriotismo para encobrir seu único interesse: dinheiro."Mendy - Amanhã, às 20 horas, no Teatro Anne Frank - A Hebraica. Rua Hungria, 1.000, 3818-8888. Grátis. Domingo, 18 horas, naCasa de Cultura de Israel. Rua Oscar Freire, 2.500, 3065-4333. Ingresso: um quilo de alimento ou um agasalho

Agencia Estado,

13 de agosto de 2004 | 12h47

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.