Diretor de "Kiriku" lança novo desenho

Não é impossível que o mesmo filmeagrade a adultos e crianças, e a prova é este desenho animado,Príncipes e Princesas, que entra amanhã em cartaz.Algumas cópias são dubladas e você vai ouvir as vozes de GiuliaGam, Ernesto Picollo e Othon Bastos como os personagens dessahistória. Ou, se preferir, dessa meta-história, já que naprimeira cena o que se vê é um casal de animadores discutindocomo fazer o filme, instruídos por um artista mais velho e maisexperiente. O diretor de Príncipes e Princesas é o francêsMichel Ocelot, já conhecido aqui por seu trabalho anterior,Kiriku e a Feiticeira.Ocelot, como artista, é cidadão do mundo. Em Kiriku,via-se sua imersão na cultura africana. Em Príncipes ePrincesas, ele percorre um mundo fabular eclético eheterogêneo. Da Europa ao Japão, passando pelo Egito, indo dopassado mais longínqüo ao futuro, Ocelot deseja mostrar que amagia pode estar em qualquer tempo e lugar, desde que se tenhaimaginação para senti-la e, em seu caso, criá-la. No início decada um dos seis contos que compõem o filme, os animadoresdiscutem a melhor maneira de proceder até que, literalmente, acortina se abra para que a trama comece.No mundo da animação, hoje plenamente dominado pelacomputação gráfica, a técnica de Ocelot se destaca por seuartesanato. Os personagens são recortados e aparecem emsilhuetas negras, que se destacam contra o fundo colorido. Oefeito é de graça e beleza. E as histórias, sempre envolvendo umpríncipe e uma princesa, são bastante interessantes. Por exemplo, a que se passa no antigo Egito fala de um humilde súdito quedecide a cada dia ofertar um figo à princesa e por isso despertao ciúme de um cortesão. Em outra, uma feiticeira vive em umafortaleza protegida por dispositivos de guerra, e permaneceinatingível, até que um jovem engenhoso consegue burlar avigilância.Há uma história futurista em que a soberana promete secasar com quem vencê-la em um jogo mortal. E o melhor fica parao final, com uma variante pitoresca sobre a antiga lenda do sapoque, beijado pela mulher amada, se transforma num príncipeformoso. O que acontece é que, a cada beijo, os amantes setransformam continuamente, até acertarem uma forma aceitávelpara ambos. Não é sem surpresa - e sem uma certa sensação demodernidade - que o jogo acaba a certa altura, com aconcordância dos parceiros. Você verá como.Aliás, essa é a preocupação visível de Ocelot - trazer omundo intemporal da fábula para uma linguagem que pareçacontemporânea. Não apenas na maneira como conta cada uma dashistórias, mas no recurso francamente "pós-moderno" achadopara dar coerência ao todo. Príncipes e Princesas não éapenas um jeito bacaninha de contar velhas histórias, mas umareflexão (se o termo não fosse pedante, nesse caso) sobre aprópria arte dos desenhos animados. Tão antiga como o cinema oua lanterna mágica dos chineses.Príncipes e Princesas (Princes & Princesses). DireçãoMichel Ocelot. França/1999. Duração 70 minutos. Livre.

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