Diretor de <i>Titanic</i> diz ter encontrado túmulo de Jesus

O documentário The Lost Tomb of Jesus (O Túmulo Perdido de Jesus, em tradução livre), produzido pelo diretor do filme Titanic, James Cameron, para o canal de TV Discovery, vai ser exibido nesta segunda-feira nos Estados Unidos. O documentário, dirigido pelo canadense Simcha Jacobovici, tenta provar a teoria de que o túmulo onde estão enterrados Jesus Cristo, sua mãe, Maria, e Maria Madalena, foi encontrado. As supostas revelações do documentário fazem referência a um túmulo encontrado em 1980 no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém. Nele, os arqueólogos encontraram dez caixões - ou repositórios de ossos - e três crânios.Seis deles portavam inscrições que foram traduzidas como Jesus, filho de José; Judá, filho de Jesus; Mariamne (apontado como o verdadeiro nome de Maria Madalena); Maria; José; e Mateus. Mas, à época, o achado não gerou grande interesse, porque os nomes eram comuns há dois mil anos.Quinze anos depois, a equipe submeteu os resíduos de ossos a testes de DNA, e verificou que não havia parentesco entre os ossos que seriam de Jesus e Maria Madalena, levando-os a concluir que ambos só poderiam estar na mesma tumba se fossem casados.Questionamento Embora não questione o episódio bíblico da Ressurreição - já que não havia ossos nos caixões - o filme de US$ 2 milhões (quase R$ 4,5 milhões) põe em questão os pilares do Cristianismo da mesma forma que o best-seller O Código da Vinci, de Dan Brown. Na trama, a Igreja tenta esconder a revelação de que Jesus e Maria Madalena tiveram um filho. Para evitar manifestações de católicos, o local onde James Cameron dará uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira, será mantido em segredo até o último momento.A tumba onde os ossos foram encontrados também permanece sob guarda armada. Mas o cientista que supervisionou as escavações em 1980, Amos Kloner, disse que os nomes eram coincidência, e qualificou o filme como "bobagem"."É uma ótima história para um filme, mas é impossível. É bobagem", disse Kloner, segundo o jornal Jerusalem Post. "Jesus e seus parentes eram uma família da Galiléia, sem laços com Jerusalém. A tumba de Talpiot pertencia a uma família de classe média do primeiro século."Polêmica Stephen Pfann, professor da Universidade de HolyLande, em Jerusalém, que foi entrevistado no documentário, disse que a hipótese é válida, mas não acha que os católicos vão "comprar a idéia". "Os mais céticos não vão acreditar, mas é verdade que (o documentário) preenche buracos na história". Pfann disse ainda que é possível que o nome "Jesus" esteja escrito incorretamente no túmulo. Ele acha que se parece mais com "Hanun". "Será que a história é possível mesmo? Em uma escala de um a dez, digamos que seja um, no máximo um e meio".Osnat Goaz, porta-voz da agência do governo israelense responsável por arqueologia, se recusou a comentar o caso antes que o documentário seja exibido.

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