Diretor busca recursos para concluir série

Ex-aluno de arquitetura, Paulo Rufino trocou a faculdade pelo cinema e virou documentarista. Trabalhou com o grupo Farkas, o que vale como recomendação, e teve uma experiência decisiva quando conheceu o lendário Joris Ivens em Paris. É um dos maiores, entre todos os documentaristas do cinema. Partiu do engajamento político e social para chegar à poesia de A História do Vento. Ivens foi certamente uma referência para o cinema de Rufino, como Geraldo Sarno, a quem chama de mestre.É um obcecado pela questão da terra no País. Essa preocupação percorre Lavra-Dor e Canto da Terra, que discutem as estruturas agrárias do Brasil. Se a preocupação com o tema sempre foi política e sociológica, Rufino, no cinema, tentou construir uma abordagem poética sobre os temas. E a Terra Brasilis está de novo no centro das suas preocupações. Desta vez ele propõe um conjunto de três filmes sobre as paisagens de Mato Grosso - o Pantanal, o cerrado e a fatia da Mata Atlântica que ainda resta no Centro-Oeste.A parte do Pantanal já está rodada, a do cerrado está em desenvolvimento e as imagens da Mata Atlântica deverão ser captadas no ano que vem. Rufino explica que esse projeto faz parte de um conjunto maior - um grupo de oito filmes mapeando as paisagens brasileiras. São, ou serão, filmes sobre os parques nacionais, para serem veiculados na TV. Por isso mesmo, a captação é em vídeo - Beta digital. Foi, aliás, um dos problemas que ele detectou ao captar recursos para o projeto. A Lei do Audiovisual, hoje o principal mecanismo para quem busca os recursos necessários à realização de filmes no País, estipula que a imagem dessas produções seja captada em película.Quem trabalha com vídeo, como ele, nesse caso, não pode recorrer à Lei do Audiovisual. Dispõe de outros recursos, como a Lei Rouanet, mas ao contrário da Lei do Audiovisual, que se baseia na renúncia fiscal e permite captar todo o dinheiro da produção, a Rouanet determina que o produtor tem de investir cerca de 40% do orçamento total. Ou seja, a Lei Rouanet não permite que só o dinheiro do imposto de renda devido seja colocado na roda. O investidor tem de colocar recursos do próprio bolso, não apenas aquele da renúncia. Isso dificulta consideravelmente a captação.Nessa etapa já produzida, Rufino teve parceiros muito importantes na coordenadoria de Cultura da Universidade Federal de Mato Grosso e no Governo do Estado. A universidade entrou no projeto com o saber, proporcionando fontes de informação e pesquisa. E o Governo do Estado possibilitou a captação de recursos por meio de uma lei local - a Hermes de Abreu. Embora já tenha captado as imagens da parte referente ao Pantanal, Rufino se dispõe a gravar mais uma parte. Acha isso fundamental depois de ter lido o livro da historiadora Maria de Fátima Costa sobre a região. Acha que as informações coletadas no volume vão enriquecer o trabalho.Custos - Cada episódio terá a duração média de 50 minutos e Rufino ainda precisa de recursos para colher as imagens do terceiro, sobre a Mata Atlântica. Ele estima o custo do segundo epísódio, sobre o cerrado, em cerca de R$ 140 mil. Entusiasma-se ao falar sobre o assunto. O cerrado, diz ele, cobre um quarto do território nacional, indo desde o Chapadão, em Mato Grosso, até o Piauí. É área de plantio e nela localizam-se as maiores culturas de soja, arroz e algodão do País.O diretor aproveita para destacar que o objetivo de sua produtora, a Casa de Cinema, não é mercantilista. A empresa não está fazendo esses filmes para vender. A idéia é distribuí-los na rede de ensino nacional. Rufino atribui ao seu trabalho uma função pedagógica e política. Conta uma experiência pessoal que o marcou - em busca de imagens para o episódio do cerrado, ele chegou a uma unidade do MST no interior de Mato Grosso. Havia uma escola para os filhos de colonos sem-terra. Na escola, estava sendo exibido um vídeo que o professor considerava um instrumento muito valioso de informação e conscientização de seus alunos para o problema da terra.Rufino quase caiu para trás ao descobrir que esse vídeo não era outro senão O Canto da Terra - o seu documentário sobre a reforma agrária. Ele esclarece que sua Casa de Cinema é a primeira. Depois, surgiu a Casa de Cinema de Porto Alegre, que, para se diferençar, incorporou o nome da capital gaúcha à sua razão social. Ele acha que a coincidência de nomes o prejudica. Não quer ser a Casa de Cinema de São Paulo, mas também se recusa a entrar na Justiça contra seus colegas gaúchos. "É uma função tão difícil, tão sacrificada no País; seria o fim brigarmos na Justiça para resolver o problema." Interessados em investir no projeto de Rufino podem contactar a Casa de Cinema pelo telefone (011) 3061-5585, ramal 1410, ou pelo fax (011)881-1339. O e-mail é casadecinema@ig.com.br.

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