Diretor Brian de Palma repudia cortes em filme sobre o Iraque

O veterano diretor de Hollywood Brian de Palma criticou o que classificou de a censura do seu novo filme sobre o Iraque e o efeito negativo dos interesses empresariais norte-americanos sobre a guerra. "Redacted" (o título significa "cortado" ou "editado") é baseado na história verídica de um grupo de soldados norte-americanos que estupraram e mataram uma garota iraquiana de 14 anos e assassinaram membros de sua família. O filme, que terá a estréia comercial nos EUA em novembro, tem chocado o público com imagens de impacto e perturbou comentaristas conservadores norte-americanos. Mas de Palma diz estar revoltado porque o drama em estilo documental --cujo título vem de opinião dele de que a cobertura de mídia sobre a guerra tem sido incompleta-- teria sido censurado. A distribuidora do filme, Magnolia Pictures, ordenou que fossem apagados os rostos de iraquianos mortos mostrados numa montagem de fotos no final do filme. "'Redacted' foi censurado. É irônico", disse de Palma, que ficou célebre por filmes como "Scarface" e "Os Intocáveis", em entrevista. "Lutei de todas as maneiras para impedir que as fotos foram censuradas, mas perdi." O diretor, que criticou Hollywood por não querer financiar filmes independentes como o dele, afirmou que ficou chocado com a própria falta de controle editorial. Ele culpou "as seguradoras" por exercer controle demais sobre a distribuição do filme. O presidente da Magnolia, Eamonn Bowles, admitiu que a distribuidora não poderia segurar o filme se as fotos não editadas fossem incluídas. Elas foram consideradas chocantes demais para serem publicadas em jornais e matérias de televisão. De Palma disse que espera que as imagens vistas em "Redacted" suscitem um debate público nos EUA sobre a conduta de soldados americanos na guerra. Abeer Qasim Hamza al Janabi foi estuprada, morta e teve seu corpo queimado por soldados norte-americanos em Mahmudiya, ao sul de Bagdá, em março de 2006. Seus pais e outro membro da família também foram mortos. De Palma, que destacou as atrocidades da guerra em "Pecados de Guerra" (1989), que também mostra o estupro de uma jovem por soldados norte-americanos, acha que a cobertura das guerras pela mídia mudou desde a Guerra do Vietnã. "Víamos soldados tombados, víamos vietnamitas sofrendo. Agora não vemos nada disso. Vemos bombas que explodem, mas onde elas caem? A quem atingem?"

CHRISTINE KEARNEY, REUTERS

07 Outubro 2019 | 12h02

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