Daniel teixeira/AE
Daniel teixeira/AE

Dira Paes fala sobre a carreira no cinema

Atriz está há mais de um mês em cartaz com o sucesso 'E Aí, Comeu?' e lançará novos trabalhos

JOÃO FERNANDO - Jornal da Tarde,

06 de agosto de 2012 | 12h45

Férias é palavra rara no vocabulário de Dira Paes. A atriz está há mais de um mês em cartaz com o sucesso de bilheteria E Aí, Comeu? - que bateu a marca de 2 milhões de espectadores -, e estreia na sexta À Beira do Caminho, de Breno Silveira, que a dirigiu em Dois Filhos de Francisco. Neste mês, começa a rodar um novo filme em São Paulo e, em breve, será vista na próxima novela das 9 da Globo, Salve Jorge, no papel de uma avó precoce. Ainda este ano, volta às telonas em Sudoeste, longa de Eduardo Nunes. E aos 43 anos, a atriz paraense acha graça do status de gostosona que ganhou na ficção. Com mais de 30 filmes no currículo, ela fala do início, da vinda ao Rio ainda adolescente, e de como é ser alvo de paparazzi - na semana passada, virou notícia quando teve a carteira de habilitação apreendida.

À Beira do Caminho gira em torno das músicas de Roberto Carlos. Qual a sua relação com o Rei?

Eu cantei com o Roberto Carlos. É uma experiência única, principalmente quando você está no Ibirapuera com oito mil pessoas vibrando. E desde que me entendo por gente já sabia algumas músicas. A gente cantou Cama e Mesa junto no Ibirapuera. Embalei meu filho cantando Como É Grande o Meu Amor por Você e me despedi do meu pai cantando Amigo. E uma das músicas que mais me emociona e traduz muito a Rosa (sua personagem) é Outra Vez. No primeiro acorde, toca a alma, a garganta fecha, você sente a emoção na pele. Todo mundo tem uma história com o Roberto.

O Breno Silveira se derrete por você em declarações. Você virou musa dos filmes dele?

Eu espero estar nos outros projetos dele. Não diria que sou musa, mas se for uma das atrizes preferidas dele, já acho ótimo.

Em À Beira do Caminho, sua personagem tem poucas aparições. Como fez para marcar presença?

Eu tentei não atrapalhar o filme. A cumplicidade entre o Vinicius (Nascimento, ator) e o João Miguel era perceptível. Os dois se davam muito bem. Eu tinha de brincar do que estavam brincando e fazer parte disso. A Rosa é um personagem de memória, faz parte das lembranças do João. Eu construí essas recordações como imaginei que ele estava imprimindo.

 

Você também está em cartaz em E Aí, Comeu?, que passou de dois milhões de espectadores. Esperava esse sucesso?

Queremos mais! Acho que o público brasileiro precisa se sentir estimulado a ir ao cinema. Quem não tem dinheiro precisa se sentir estimulado com as promoções; o cinema é uma arte cara, que precisa alcançar seu público.

Você tem uma carreira sólida no cinema. Como define sua experiência nesse meio?

Faço parte de uma geração que está produzindo cinema. Comecei muito cedo e atravessei algumas gerações. Não foi um planejamento frio e calculista. A minha experiência não é grande, espero que ela triplique. Tive a chance de passear pela diversidade do cinema brasileiro. Se quiser comédia, vai ver E Aí, Comeu? Se quiser filme com história mais profunda, vai ver À Beira do Caminho. O cinema brasileiro precisa da diversidade. O público precisa saber que pode contar com o divertimento.

O que você tem vontade de fazer no cinema que ainda não fez?

Ainda tenho uma trajetória inédita para oferecer ao público, por incrível que pareça. Estou vindo filmar aqui Os Amigos, filme com o Marco Ricca, que vai ter como personagem a cidade de São Paulo. Estou muito estimulada de fazer esse filme pela oportunidade de ficar aqui e viver São Paulo. Vou ter uma chance de me aproximar da cidade.

Floresta das Esmeraldas (1985), seu primeiro filme, foi uma produção americana. Como foi o seu começo?

Foi um começo de Cinderela, fui descoberta em uma escola. Eu fazia teatro no colégio e meus professores de arte disseram que estavam fazendo teste de elenco em Belém. Eles diziam que eu tinha de ir porque tinha o tipo que estavam querendo. Eu já falava inglês na época. Fiz os testes e fui passando. Quando vi, tinha ganhado o papel feminino do filme.

Você sempre viveu no Pará?

Nasci por acidente na cidade dos meus pais, Abaetetuba (PA). Nasci de oito meses, num domingo, em casa e sem parteira. Quem fez meu parto foi minha prima, que tinha 16 anos. Fiquei 20 minutos ligada ao cordão umbilical até a parteira chegar. Mamãe tinha ido lá buscar umas coisas para levar para Belém. E a parteira estava ocupadíssima.

 

Quando decidiu virar atriz profissional?

Eu terminei o colégio em Belém e decidi que iria para o Rio ser atriz. Tinha alcançado minha independência financeira com filmes, tinha apoio dos meus pais e não via por que não experimentar. Era isso ou Engenharia. Tive a lucidez de não deixar aquela porta que tinha se aberto para mim se fechar. Quando fui para o Rio eu tinha 17 anos. Com dois meses, fiz teste para Ele, o Boto, do Walter Lima Jr., e passei. Fui para a universidade fazer Artes Cênicas e também me formei na Aliança Francesa. Fiz teatro, TV e houve a retomada do cinema brasileiro, quando tive a oportunidade de filmar muito.

Na TV, você ficou três anos como a Solineuza em A Diarista. Teve medo de ficar marcada?

Era um personagem muito forte. Se tivesse durado mais tempo, teria sido difícil sair. Foi o tempo certo, de deixar saudade. Pude viver a Solineuza e a Dona Helena, de Dois Filhos de Francisco ao mesmo tempo. E as pessoas não relacionavam uma com a outra. Muita gente não acreditava que a Solineuza e ela eram a mesma pessoa.

Quando você interpretou a Norminha de Caminho das Índias (2009), ficou com a imagem de gostosona. Você se vê assim?

Um dos desafios é conseguir se despir da sua vaidade ao interpretar personagens. Acho que vivi isso em alguns papéis. Eu empresto a minha falta de gostosura, coisas que não são atraentes. Sinto orgulho de fazer isso. Acho legal essa maleabilidade. Não iria gostar de viver interpretando só os tipos Norminha. Apesar de achar a Norminha a mulher perfeita.

Por quê?

Pela autoestima, ela só andava olhando para a frente. Uma pessoa com a autoestima bem resolvida é uma pessoa bacana.

No trailer de E Aí, Comeu?, os atores se referem a você como um mulherão. Concorda?

Achei uma graça deles, que são piadistas. Eles são amigos, fizeram uma brincadeira.

Você foi ao Na Moral, programa de Pedro Bial, falar sobre paparazzi. Como é a relação com eles?

Não me privo de fazer as coisas, mas não escolho a praia em que estarão todas as pessoas e nem deixo de ir à praia. Só não conto aonde vou. Fico feliz porque a minha vida profissional é muito interessante e supre a necessidade de estar em voga. Se vou a uma estreia, sou eu que vou estar posando para os fotógrafos, não a minha família.

Na semana passada, você foi notícia ao ter a carteira de habilitação apreendida por não fazer o teste do bafômetro. Ficou chateada com a repercussão?

Hoje há uma máquina de fazer notícias. Mas (a blitz da lei seca) é algo que funciona no Rio de Janeiro. Eu quero dar parabéns ao Detran, eles estão certíssimos. Que os bons exemplos sejam seguidos e os maus exemplos fiquem como maus exemplos. Viva o Detran!

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