Dino de Laurentiis é homenageado em Veneza

O lendário produtor italiano Dino de Laurentiis recebeu hoje em Veneza um Leão de Ouro por sua obra cinematográfica. Aos 84 anos, Laurentiis foi homenageado pelo Festival de Veneza, evento cinematográfico mais antigo do mundo que está em sua 60.ª edição. Em 2001, ele recebeu das mãos de Anthony Hopkins (Hannibal) o Oscar especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.Atualmente, Laurentiis está às voltas com a produção de Alexandre, O Grande, que terá Leonardo di Caprio no papel do imperador e Nicole Kidman como sua mãe. A versão produzida por Laurentiis terá Baz Luhrmann (Moulin Rouge) na direção. De Laurentiis tem mais de 60 filmes no currículo e cerca de 30 indicações ao Oscar. Ele ajudou a reerguer o cinema italiano nos anos 50, depois da 2.ª Guerra Mundial. Nessa época, trabalhou com diretores do quilate de Federico Fellini, então apenas um iniciante. Dele, Laurentiis produziu, por exemplo, A Estrada da Vida, com Giulietta Masina, em 1954.Nos anos 60, descontente com as condições de produção cinematográfica na Itália, o produtor se mudou para os Estados Unidos e se aventurou em Hollywood. Seu primeiro filme por lá foi Serpico, dirigido por Sydney Lumet com Al Pacino no papel de um policial que luta para acabar com a corrupção na polícia de Nova York. Este é, segundo Laurentiis, seu filme preferido, pois foi com ele que conseguiu o respeito da comunidade cinematográfica americana.Entretanto, a lista de produções comandadas por Dino de Laurentiis é mais extensa e variada do que um pequeno número de clássicos em que ele participou. Seus esforços (e seu dinheiro) se dirigiram para obras tão diferentes quanto Orca, King King, O Ovo da Serpente, Ragtime, Conan O Bárbaro, Duna, Flash Gordon, Barrabás, Barbarela e tantos e tantos outros. Um personagem recente, mas já um membro da galeria permanente do cinema mundial, surgiu em uma de suas produções. O canibal Hannibal Leceter apareceu pela primeira vez no filme Dragão Vermelho, de 1986, uma produção de Dino de Laurentiis. Seu sucesso nos Estados Unidos foi enorme, como se vê pelo número de títulos que ele produziu que estouraram nas bilheterias. Esta poderia ser a razão para que Laurentiis tenha ficado na América, onde o cinema é um negócio melhor do que na Itália. Mas o motivo que ele dá é outro: ?O cinema italiano precisa de liberdade, criativa e empresarial, sem a qual não se vai longe. Os filmes italianos, em língua italiana, são provincianos, destinados a nascer e morrer na Itália".

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