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Dinamarquês 'Em um Mundo Melhor' conta história moralizante

Filme aborda temas como bullying, sentimento de culpa europeu diante do 3º Mundo e famílias problemáticas

Reuters

10 de março de 2011 | 09h39

Ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, o dinamarquês Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier, se insere na tradição dos premiados nessa categoria: pouco reflete sobre o cinema fora dos Estados Unidos, mas muito ressoa junto aos interesses dos norte-americanos.

Temas como bullying, sentimento de culpa europeu diante do 3º Mundo e famílias problemáticas agradam bem ao gosto dos votantes da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, que deixam de lado filmes de maior valor artístico, como o argentino Abutres e o tailandês Tio Boonmee que Pode Recordar suas Vidas Passadas, este último ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2010.

A diretora dinamarquesa Susanne Bier (Depois do Casamento) volta à sua terra natal depois de uma fraca incursão no cinema norte-americano com Coisas que Perdemos pelo Caminho (2007). Seu novo trabalho, cujo roteiro é assinado pelo seu colaborador frequente Anders Thomas Jensen, cruza a história de duas famílias consumidas pela culpa e o distanciamento. O longa estreia em São Paulo e Rio de Janeiro.

Em um Mundo Melhor faz um paralelo entre dois países: Dinamarca e Quênia. Anton (o sueco Mikael Persbrandt) é um médico dinamarquês que viaja frequentemente à África para cuidar de mulheres que foram brutalmente atacadas por um chefão local. Em casa, ele tenta recuperar o amor de sua mulher, Marianne (Trine Dyrholm), e a confiança do filho, Elias (Markus Rygaard).

A outra família é a de Claus (Ulrich Thomsen), viúvo e pai omisso que volta da Inglaterra para a Dinamarca com o filho pequeno, Christian (William Johnk Nielsen), depois da morte da mãe do menino. A vida dos dois garotos vão se cruzar quando Elias é humilhado por outro menino na escola e Christian decide tomar as dores. A reação é violenta e inesperada, surpreendendo especialmente o pai. O menino revela-se um garoto vingativo, cujo comportamento coloca em risco a vida não apenas do amigo, mas também de desconhecidos.

O retorno de Anton para casa o aproxima do filho, que passa a ver as atitudes do pai com outros olhos - especialmente influenciado pelas tendências do novo amigo. Elias e Christian passam a resolver qualquer tipo de problema usando violência. No Quênia, há um paralelo das ações do médico e das crianças. Mais tarde, Anton terá a chance de acertar as contas com o chefão da aldeia local, quando este precisa de sua ajuda.

Susanne e seu roteirista armam uma história moralizante cujo questionamento maior é: devemos oferecer a outra face para o inimigo? A resposta, como é de se esperar, não é simples e envolve muita discussão - mas o filme é um tanto simplista em sua resolução, exagerando nas manipulações emocionais e narrativas. A ideia vendida por Em um Mundo Melhor é que as pessoas retribuirão, tanto o bem, quanto mal, na mesma moeda. Então, por que não fazer apenas o bem? Num mundo ideal, isso seria perfeito - mas o nosso está muito longe disso. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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