Dilema marca 62.ª edição do Festival de Veneza

O Festival de Veneza chega à sua 62.ª edição cheio de dúvidas. Para que lado vai? Para o lado do cinema de autor, que faz a cabeça dos intelectuais mas não empolga tanto o público? Ou para o mundanismo de Hollywood, que atrai divas, fãs, divisas - e também críticas da parte pensante do mundo do cinema? A julgar pela seleção da sua mostra competitiva, seu presidente, o romano Marco Muller, tenta, mais uma vez, uma solução de compromisso. Sim, os astros e estrelas estarão no Lido. Mesmo porque há quatro produções americanas em competição: Good Night, and Good Luck, de George Clooney, Mary, de Abel Ferrara, Brokeback Mountain, de Ang Lee, e Romance & Cigarettes, de John Turturro. Mas a maior parte das estrelas vem dos filmes "fora de concurso". Filmes comerciais, que se aproveitam da presença maciça da mídia para fazer pré-estréias de repercussão em todo o mundo. Os grandes festivais, Cannes e Berlim, além de Veneza, se tornaram reféns dessa estratégia de lançamentos dos grandes estúdios. Este ano serão 18 filmes fora de concurso, incluindo o título de abertura, Seven Swords, de Tsui Hark, uma produção de Hong Kong, o capa e espada oriental que já conquistou público e parte da crítica mundial, incluindo a nova geração da Cahiers du Cinéma. No total serão 9 filmes dos Estados Unidos no Lido. Sempre é bom ver mais um trabalho do grande Manoel de Oliveira, o velho mestre português. Ou mais um filme do polonês Zanussi ou do coreano Park Chan-wook. Precisaremos conferir também, agora com mais desconfiança, a quantas anda o cinema italiano.Outra ótima aposta - prévia - é em Gabrielle, do francês Patrice Chéreau. O diretor vive excelente fase, como sabem os paulistanos que assistiram a Irmãos, seu filme mais recente que esteve em cartaz na cidade. E a disputa mesmo forma lateral, do Brasil, com Fernando Meirelles e seu The Constant Gardener (O Jardineiro Fiel), baseado em romance de John Le Carré. O outro brasileiro, Árido Movie, do pernambucano Lírio Ferreira, é 100% nacional. E, por fim, há um curta-metragem do Brasil entre os concorrentes desse formato: De Glauber para Jirges, de André Ristum. Nele, o diretor recupera a correspondência trocada entre seu pai, o ator Jirges Ristum, e o cineasta Glauber Rocha, ambos já mortos. Um bonito trabalho de resgate e memória.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.