Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/ Divulgação
Cena de ‘Macabro’, filme nacional de terror que vai abrir 43.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/ Divulgação

Dificuldades não impedem 43.ª Mostra de Cinema de apresentar 60 filmes nacionais ao público

Programação começa hoje com ‘Macabro’, de Marcos Prado, e vai até a quarta-feira, do dia 30. Ao todo, serão exibidas 300 produções exclusivas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2019 | 06h00

Setembro passou e não houve Festival de Brasília. O Festival do Rio, sem recursos, teve de transferir sua data para dezembro e a Première Brasil, grande vitrine do cinema brasileiro, corre o risco de sair bem menor que de costume. Por tudo, a 43.ª Mostra, que começa hoje, 17, para o público – e segue até 30 –, assume uma importância maior que nunca para a produção nacional. Dos 300 filmes anunciados, 60, ou 1/5, são brasileiros, a maioria em estreia nacional. Um e outro já passou no Cine Ceará, em Gramado, mas a Mostra acolhe mesmo esses títulos – a preferência é sempre para inéditos –, porque, afinal, concorrem a um prêmio em dinheiro. Sim, nesse quadro de torneiras fechadas do Governo Federal, a Mostra está conseguindo manter não só o calendário, mas a extensão e até valores agregados aos prêmios para a produção nacional.

São 60 filmes, vale repetir: 60! A programação inicia-se nesta quinta com Macabro, de Marcos Prado, fotógrafo premiado, diretor e produtor cujo nome esteve associado ao de José Padilha nos dois Tropa de Elite. O próprio Prado realizou Estamira e Paraísos Artificiais

Estreia na Mostra Macabro, cuja trama se passa na década de 1990, contando a história de dois irmãos que foram acusados pelo assassinato de oito mulheres, um homem e uma criança na região da Serra dos Órgãos. Mais que uma contribuição do diretor ao cinema de gênero que cresce no País, Macabro centra-se na crise de consciência do sargento militar que investiga o caso. Na cola dos supostos criminosos, Renato Góes percebe que o julgamento da imprensa e o racismo da sociedade condenaram os irmãos, mesmo que ele tenha sérias dúvidas sobre o envolvimento de um deles.

Mais escancaradamente de gênero, Juízo, de Andrucha Waddington, terá sua estreia na Mostra no fim de semana – no sábado, 19. Andrucha dirige um roteiro da mulher, Fernanda Torres. Terror familiar? Felipe Camargo está em crise no casamento com Carol Castro e a vida aviltada pela bebida. Em busca de reerguimento, muda-se com a mulher e o filho – Joaquim Torres Waddington, filho do diretor e da roteirista, estreando no cinema – para uma fazenda que herdou, e aí, sim, as coisas que já não andam boas complicam-se ainda mais. O lugar carrega um histórico de violência, com registros de traições e mortes por vingança. Entram em cena Lima Duarte e a sogra do diretor, Fernanda Montenegro, que ele já dirigiu anteriormente em Gêmeas e Casa de Areia.

Fernanda, que festejou 90 anos nesta quarta, 16, terá na sexta, 18, seu grande dia na Mostra. Em parceria com o Theatro Municipal, que fornece seu palco, haverá uma sessão – de gala, por menos que a diretora e curadora artística Renata de Almeida não goste da palavra – de A Vida Invisível, agora definitivamente sem o acréscimo de Eurídice Gusmão no título. 

Eurídice é a protagonista do longa de Karim Aïnouz produzido por Rodrigo Teixeira e que foi escolhido como representante do Brasil na disputa a uma vaga no Oscar de melhor longa Internacional – nova denominação para Estrangeiro. Em maio, A Vida Invisível venceu o prêmio da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes. Conta a história de duas irmãs separadas pela brutalidade de um pai e um marido.

Karim, grande diretor – de Madame Satã, O Céu de Suely e Praia do Futuro -, sempre quis fazer um filme sobre a geração de mulheres como sua mãe, que o criou sozinha, em Fortaleza, numa época em que o casamento, e o marido, definiam a posição social da mulher. O filme é bom, sem sombra de dúvida, mas dispara, elevando-se, no impressionante último ato, quando Fernanda entra em cena. Vale lembrar a Dora, de Central do Brasil, de Walter Salles, pelo qual Fernanda foi melhor atriz em Berlim e indicada para o Oscar. 

Dora escrevia aquelas cartas. Agora, outras cartas ajudam a destrinchar a história que Karim adaptou do livro de Martha Batalha. A expectativa é de que a discussão sobre a condição das mulheres, em tempos de empoderamento e #MeToo, fortaleça a candidatura do filme e o Brasil, e Fernanda – como coadjuvante –, voltem ao Oscar.

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Vincent Lindon brilha no papel do grande sedutor em ‘O Último Amor de Casanova’

Longa de Benoît Jacquot apresenta ao público Giacomo Casanova, maior conquistador dos últimos tempos, durante rara situação amorosa que fugiu do seu controle

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2019 | 06h00

Giacomo Casanova (1725-1798) tornou-se um mito Ocidental. Ícone da conquista amorosa, da potência masculina, da elegância do amor libertino, passou a ser desmistificado assim que esses valores, outrora indiscutíveis, passaram a ser questionados. Depois de Federico Fellini e Ettore Scola, entre outros, é a vez de Benoît Jacquot flagrar Giácomo em seus anos maduros e – pior – diante de uma situação amorosa fora de controle do velho sedutor. 

Cineasta experiente, Jacquot constrói seu Casanova como um trabalho de memória. Ele está já em seu paradeiro final, na grosseira corte da Saxônia, onde foi buscar pão e repouso. Seu tempo passou. Chegou a hora da memória e da reflexão. Como a narrativa é um conforto da velhice, ele conta seus casos a uma jovem da corte. 

Em O Último Amor de Casanova, um dos destaques da Mostra, Giacomo (Vincent Lindon) evoca uma passagem de sua existência, quando refugiou-se na Inglaterra. Sem conhecer nada do país, e nem mesmo o idioma, não tinha a mesma desenvoltura de outros tempos e passou a relacionar-se de maneira exclusiva com uma jovem cortesã, Marianne de Charpillon (Stacy Martin). Com a Charpillon, Casanova comete o pecado capital de qualquer conquistador profissional – apaixonar-se. E sem ser correspondido.

Quanto maior o assédio, mais Marianne se distancia, até lhe dizer que ele só a teria no momento em que deixasse de desejá-la. Um lindo (e terrível) paradoxo: só me terá quando isso não tiver mais a menor importância. 

Lindon compõe seu personagem com toda a dignidade e elegância. É um ator soberbo, capaz de passar uma gama de significados com o gestual refinado e expressões faciais controladas. Tal desempenho é próprio do ator, mas também faz parte de uma filosofia de direção que prima pela discrição e, também, por uma talvez voluntária ausência de inventividade. 

Um tanto acadêmico, O Último Amor de Casanova é respeitoso com o personagem. Mesmo em sua decadência, o sedutor veneziano é retratado com elegância. Não mostra o tom patético do Casanova de Scola (Marcello Mastroianni) às voltas com a Revolução Francesa. Muito menos é retratado como boneco patético, como fez Fellini com seu Giácomo interpretado por Donald Sutherland

O Casanova de Lindon é um cavalheiro que sucumbe em sua última cartada, falha na arte em que era virtuoso e entrega os pontos ao tempo, esse adversário implacável e paciente. Com a dignidade dos vencidos, que podem estampar como consolo seu passado de glória. 

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‘Mr. Jones’ narra a história de jornalista que denunciou as mazelas políticas do stalinismo

Longa apresenta ao público Gareth Jones e sua visão das estratégias da 'grande fome', cujo intuito era dizimar os inimigos de Josef Stalin

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2019 | 06h00

Na agenda tradicionalmente política do Festival de Berlim, a polonesa Agnieszka Holland usou o palco da Berlinale para repetidas manifestações contra o stalinismo. Ela participou da seleção – em fevereiro – com seu novo longa, Mr. Jones, que chega à Mostra nesta quinta, 17. O tema está relacionado à imprensa, e Agnieszka também fez repetidos ataques às fake news, nesses tempos em que as redes sociais começam a substituir a imprensa acolhendo todo tipo de informação. Agnieszka bateu pesado em Donald Trump e seus seguidores em todo o mundo. Declarou-se decepcionada. O mundo, tal como está hoje, não foi aquele pelo qual lutou, enfrentando a censura e a linha dura do comunismo em seu país de origem.

O curioso é que houve outro Mr. Jones, um filme de Mike Figgis, de 1993, sobre o colonialismo inglês na África. O ‘mister’ de Agnieszka é o jornalista galês Gareth Jones, que denunciou as implicações políticas da grande fome provocada por Josef Stalin na União Soviética, no começo dos anos 1930. Ao mesmo tempo em que cortava suprimentos e dizimava inimigos, o stalinismo exercia rigoroso controle da imprensa e do cinema como meios de difusão. O escritor George Orwell admitiu que se inspirou na figura e nas denúncias de Jones para escrever sua obra seminal, A Revolução dos Bichos.

Agnieszka Holland foi assistente de Andrzej Wajda, mestre polonês reconhecido pela estética fortemente política que está na base do seu cinema – recompensado por um Oscar especial entregue por Jane Fonda, rememorando seus tempos de militância, como ‘Hanói Jane’. Agnieszka destacou-se com filmes comprometidos com a realidade polonesa de Lech Walesa e seu sindicato Solidariedade. Colocou o dedo na ferida do antissemitismo no país católico. Europa, Europa/Filhos da Guerra fez sensação em 1990, com sua história de judeu que tenta esconder sua condição judaica e o fato de ser circuncidado – ao virar paradigma do super-homem nazista. Em Hollywood, fez O Jardim Secreto.

Essa mistura de realidade extrema e um toque de fantasia está presente na estrutura de Mr. Jones. O filme, ao mesmo tempo que segue a história de resistência do jornalista, interpretado por James Norton, agrega imagens de George Orwell em seu processo criativo – e até dos animais que ele imagina em sua fazenda. Mais até do que sobre Gareth Davis, vira um filme sobre um escritor – George Orwell – que encontra um jornalista, que lhe faz uma denúncia, que inspira um livro. Tudo isso parece intrigante e permite uma mistura até mesmo desconcertante de formas narrativas. No final da sessão oficial, na Berlinale, o público, perplexo, demorou um pouco para reagir. Agnieszka, que nunca foi muito sutil, disse que contava com isso. O importante é provocar reação no público, sacudi-lo de seu torpor e levá-lo a pensar um pouco no estado (crítico) do mundo.

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‘Estado’ indica lista de filmes imperdíveis da 43.ª Mostra de Cinema

Hostilizado pelo governo federal e cheio de dúvidas quanto ao seu futuro, o cinema nacional ainda mostra força e oferece nada menos que 60 títulos ao público da Mostra

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2019 | 17h29

Quebrou a cara quem achou que, em virtude da crise, a 43ª Mostra de Cinema faria uma edição mais fraca este ano. A tradicional festa paulistana do cinema já anunciou seu portfólio para 2019 e este contém nada menos que 327 títulos, que se espalharão por dezenas de cinemas da cidade. Várias salas estão no eixo da Avenida Paulista e a elas se soma o circuito SPcine, em várias localidades da capital. A mostra começa hoje, no Espaço Ibirapuera Oscar Niemeyer, com a exibição, para convidados, de um longa muito aguardado, Wasp Network, de Olivier Assayas, que competiu no Festival de Veneza deste ano. 

Assayas vem ao Brasil e, junto com ele, parte do elenco - o brasileiro Wagner Moura, o venezuelano Édgar Ramírez e o argentino Leonardo Sbaraglia. Eles contam uma história incrível - e real - baseada no livro de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, sobre agentes cubanos infiltrados em grupos terroristas anticastristas de Miami. Vale esperar muito deste filme, pois Assayas já se revelou craque em unir ação, alta temperatura política e contexto histórico em Carlos, sobre Carlos, o Chacal, aliás interpretado pelo mesmo Édgar Ramírez de Wasp Network. 

No dia seguinte, 17, a Mostra abre para valer e começa a rolar para o público cinéfilo. Há que fazer um planejamento, pois nem o mais intrépido maratonista dispõem de fôlego para ver tudo, e nem mesmo parte considerável do que é oferecido nas diversas seções do evento: apresentações especiais, homenagens, restaurações, novos diretores, mostra Brasil e perspectiva internacional. Um paradoxo desses grandes eventos é que o cinéfilo, embora saia exausto e satisfeito, sempre fica com a sensação de ter perdido alguma coisa irrecuperável. E o pior é que essa impressão é, em geral, verdadeira. Sempre escapa alguma obra fundamental. 

De qualquer forma, há diferenças de planejamento para explorar o oceano da Mostra. Quem prefere valores sólidos pode se concentrar em títulos oriundos dos grandes festivais do mundo. Alguns exemplos: Parasita, de Bong Joon-Ho, Palma de Ouro em Cannes e Sinônimos, de Nadav Lapid, Urso de Ouro em Berlim. Dois campeões. Mas também deve ter em mira Family Romance LTDA, de Werner Herzog (Cannes), Cicatrizes, de Miroslav Terzic (Cannes), Joana D’Arc, de Bruno Dumont (Cannes), além do próprio Wasp Network (Veneza). 

Outro campo exploratório interessante é o do cinema brasileiro. Hostilizado pelo governo federal e cheio de dúvidas quanto ao seu futuro, o cinema nacional ainda mostra força e oferece nada menos que 60 títulos ao público da Mostra.

Haveria muito que destacar entre eles, a começar por Uma Vida Invisível, de Karim Aïnouz, escolhido para representar o Brasil no próximo Oscar. Pacarrete, de Allan Deberton, tem arrebatado corações e mentes por onde passa - só no Festival de Gramado levou oito troféus. Babenco - Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, de Bárbara Paz, levou o prêmio de documentário em Veneza. Há outros títulos a serem explorados, como Amazônia Sociedade Anônima, de Estevão Ciavatta, sobre um tema premente nesta época de luta inglória pela preservação da floresta. Também convém conferir filmes como Sete Anos em Maio, de Affonso Uchoa, representante da criativa escola mineira, e Três Verões, novo trabalho de Sandra Kogut. Isso para ficar em alguns exemplos. Na verdade, o cardápio nacional parece muito saboroso e cheio de promessas. 

Há também as apostas de risco - e frequentadores mais antigos da Mostra sabem que é entre elas que se descobrem as pepitas. De olho nas preciosidades, é preciso ficar atento à competição de novos diretores, da qual só participam os que têm até dois longas no currículo. Há nessa sessão um mar de filmes de países como Espanha, Portugal, Estados Unidos, Itália, Rússia, Sérvia, Eslovênia, Irã, México, Israel e um longo etcétera. Inclusive com diretores do Brasil, entre os quais destaco o pernambucano Camilo Cavalcante com seu segundo longa, Beco. Há estreias curiosas, como a do filósofo Francisco Bosco (em parceria com Raul Mourão) com O Mês que não Terminou. E a da estudiosa de cinema Lúcia Nagib, hoje radicada na Inglaterra, que faz seu début com Passagens, co-dirigido por Samuel Paiva. Um lembrete: é desse universo dos novos diretores que, escolhidos pelo voto do público, saem os finalistas ao Troféu Bandeira Paulista. Os classificados pelo voto popular serão submetidos ao júri oficial, composto este ano pela atriz portuguesa Maria de Medeiros, a produtora francesa Xénia Maingot e o cineasta argentino Lisandro Alonso

Preste atenção também aos homenageados. Olivier Assayas, além de abrir a mostra, recebe o Prêmio Leon Cakoff e ganha uma retrospectiva de sua obra com 14 títulos, entre eles Clean, Depois de Maio, Horas de Verão e Vidas Duplas

Já o cineasta palestino Elia Suleiman recebe o Prêmio Humanidade e mostra seu novo filme, O Paraíso Deve ser Aqui, premiado em Cannes. 

Além de Assayas, quem recebe o Prêmio Leon Cakoff é o israelense Amos Gitai, habitué e amigo da Mostra. Gitai verá a projeção de dois dos seus longas mais conhecidos, Berlim-Jerusalém e Kadosh, além de presenciar o lançamento de um livro muito especial. Em Tempos como Estes, correspondência da mãe de Gitai entre 1929 e 1994, será lançado pela Mostra e trechos das cartas serão lidas por Camila Márdila, Bárbara Paz, Regina Braga e Gabriel Braga Nunes

Há outra novidade este ano, as sessões no Theatro Municipal nas quais se exibirão títulos brasileiros que tiveram sucesso no exterior como Babenco - Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (Veneza) e A Vida Invisível (Cannes). 

Por outro lado, mantém-se a tradicional sessão na parte externa do Auditório Ibirapuera com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica. Este ano, o título escolhido é um clássico do expressionismo alemão, de Robert Wiene. O motivo da homenagem é o centenário da obra, mas seria difícil escolher filme mais adequado ao panorama político atual que o sombrio Gabinete do Doutor Caligari, obra que prenunciava a ascensão do nazismo na Alemanha, segundo especialistas. 

A mostra termina dia 30, com a distribuição de prêmios e a exibição de Dois Papas, novo longa-metragem de Fernando Meirelles, de Cidade de Deus. Anthony Hopkins e Jonathan Pryce interpretam os papas do título na passagem de bastão de Bento 16 para Francisco

Com o encerramento, a roda não para e dá início à repescagem, última chance dos cinéfilos de recuperar algum título perdido ao longo da maratona. 

 

Apostas

Wasp Network, de Olivier Assayas. Inspirado no livro de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, o longa mostra a ação de agentes cubanos infiltrados em grupos anticastristas em Miami. 

 

 

A Vida Invisível, de Karim Aïnouz. Por caminhos diferentes, duas irmãs tentam enfrentar a sociedade machista brasileira no Rio de Janeiro dos anos 1940 e 1950. Adaptação livre do romance de Martha Batalha

 

 

Parasita, de Bong Joon-Ho. Curiosa maneira de observar a disparidade gritante entre classes sociais, através de uma família de subempregados que consegue se infiltrar aos poucos na mansão de uma família rica. Palma de Ouro em Cannes.

 

 

Papicha, de Mounia Meddour. O longa ambienta-se na Argélia dos anos 1990, onde um grupo de jovens mulheres, estudantes de moda, precisa enfrentar a intolerância e violência de milícias de fundamentalistas religiosos. 

 

 

Joana D’Arc, de Bruno Dumont. Revisita uma personagem emblemática da história francesa, Joana D’Arc, presa e levada à fogueira durante a Guerra dos Cem Anos, entre Inglaterra e França. O diretor Bruno Dumont (de A Humanidade) inspira-se em uma peça de Péguy na qual Joana é uma antibelicista que dizia querer “matar a guerra”. 

 

 

Chão, de Camila Freitas. Não se trata de mais um filme sobre o MST, mas de um estudo observacional cuidadoso do movimento, do modo de vida nos acampamentos, dos temores e esperanças dos seus componentes. Movimentos são feitos de homens e mulheres de carne e osso e muitas vezes os filmes políticos se esquecem disso. Em Chão, essa dimensão é realçada. 

 

 

Pacarrete, de Allan Deberton. Inspirando-se numa personagem real de sua cidade, Russas, no interior do Ceará, Deberton vem ganhando prêmios em cima de prêmios por onde passa. A personagem-título, uma bailarina envelhecida que deseja oferecer sua arte à cidade onde vive, tem em Marcélia Cartaxo sua intérprete ideal. Faz rir e faz chorar. Às vezes ao mesmo tempo. 

 

 

O Jovem Ahmed, dos irmãos Dardenne. Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne são conhecidos (e premiados) por seu cinema despojado e de alta voltagem social, como Rosetta e A Criança. Nesta história, Ahmed é um garoto de 13 anos, convencido por seu imã de que a professora que o educa não passa de uma pecadora e deve ser punida. 

 

 

La Llorona, de Jayro Bustamante. O diretor é um talento guatemalteco. Nesta história, ele atualiza, em termos políticos, a lenda da “chorona”. Um general, acusado de genocídio, é absolvido pelo júri, mas a alma de uma mulher assassinada passa a atormentá-lo. Ganhou o prêmio de direção na seção Jornada dos Autores, do Festival de Veneza. 

 

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Filme 'Wasp Network’ vai abrir a 43.ª Mostra de Cinema de São Paulo

Longa do diretor francês Olivier Assayas tem Édgar Ramírez, Wagner Moura e Gael García Bernal no elenco

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

13 de outubro de 2019 | 07h00

VENEZA - Foi o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira quem fez chegar às mãos do diretor francês Olivier Assayas, por meio de seu produtor francês, Charles Gillibert, o livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, sobre um grupo de cubanos infiltrados nos movimentos anticastristas em Miami. “Eu acho que ele me procurou por causa de Carlos, o Chacal”, disse Assayas ao Estado durante o Festival de Veneza, onde o filme Wasp Network fez sua estreia mundial, em competição – o longa abre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, para convidados, no dia 16, com presença do cineasta e dos atores Édgar Ramirez e Leonardo Sbaraglia, além de Wagner Moura. “Eu achei o material extraordinário, mas muito difícil de adaptar.” 

O livro conta a história completa dos chamados Cinco de Cuba, que, depois de presos pelas autoridades americanas, recusaram acordos e cumpriram longas penas por suas atividades. Assayas achou melhor focar em alguns dos personagens, especificamente em René González (o venezuelano Édgar Ramírez), que parte para os Estados Unidos sem deixar nem bilhete para sua mulher Olga (a espanhola Penélope Cruz) e os filhos. Em tese, foi tentar uma vida melhor – mas, na verdade, se infiltra em organizações que tentam derrubar o governo de Fidel e depois o do seu irmão Raul Castro, inclusive explodindo hotéis em Havana. Vive como um imigrante comum, com dificuldade financeiras. “Eles eram espiões proletários”, contou Assayas. “É difícil entender o que faz uma pessoa aceitar abandonar a família, mas, no fim, eles eram soldados. Acho que eles foram os últimos de uma geração que estava disposta a morrer por seus ideais.”

Outro personagem importante é Juan Pablo Roque (Wagner Moura), tenente-coronel das Forças Aéreas Cubanas, que nada sete horas até a base de Guantánamo para pedir asilo ao governo americano. Ele também se infiltra na Wasp Network (“rede de vespas”, na tradução), mas vira agente duplo para o FBI. Torna-se celebridade local ao fazer uma cerimônia de casamento espetacular com Ana Margarita Fernandez (a cubana Ana de Armas, de Blade Runner 2049), que depois abandona ao retornar a Cuba

O elenco ainda conta com o mexicano Gael García Bernal, como o chefe da rede, e o argentino Leonardo Sbaraglia (de Dor e Glória, o último filme de Pedro Almodóvar), como o líder de um dos grupos anticastristas. É quase um dream team da América Latina. “Minha intenção era ser autêntico e usar apenas atores cubanos”, disse Assayas. “Mas eu vi que não dá para escrever um roteiro que custa mais do que seus filmes independentes e usar só atores desconhecidos. Então pensei: Por que não ir atrás dos melhores?” O cineasta já tinha trabalhado com Édgar Ramírez, que fez o personagem-título da minissérie Carlos, o Chacal, mas não conhecia Wagner Moura. “Eu o adorei assim que conheci. É uma das coisas que o cinema proporciona: não apenas ele era o homem certo para o papel, mas também para ser meu amigo”, disse Assayas. Para o diretor, trabalhar fora da França é uma oportunidade “de conhecer atores de outras culturas, que falam outra língua, o que abre meu mundo e também renova meu prazer em fazer filmes”.

Rodar em Cuba foi uma caixinha de surpresas. “Não tivemos tantas restrições quanto eu pensava. Eles nos deixaram filmar coisas que não imaginei que iam permitir”, disse o diretor. Por exemplo, o lobby de um dos hotéis que sofreu atentado de um grupo anticastrista, mas também uma base aérea, com três caças MiG no ar. “As coisas mudaram no meio do caminho, porque as tensões políticas com os Estados Unidos acabaram afetando.” Édgar Ramírez contou que as regras eram alteradas o tempo todo. “Algumas permissões eram retiradas. Era toda uma burocracia, o que não é surpreendente nem estranho para mim, que venho da Venezuela. É um lugar complicado. Sou jornalista e faço muitas perguntas. Algumas pessoas estavam dispostas a responder, e outras, não, o que diz muito sobre o estado de coisas.”

Assayas disse que tinha uma visão errônea sobre a ilha, uma coisa mais turística, com os carros antigos e as casas coloridas. “Mas os cubanos levam uma vida muito difícil. É deprimente ver tanta pobreza no centro de Havana”, disse. “Para nós, era estranho porque ficávamos numa Cuba que tem seu próprio dinheiro, em que há restaurantes caros. Claro que vemos esse contraste em outros países, mas ali a população não tem acesso à internet, é um país sem democracia. A sensação é a de que não vai durar muito. Mudanças vão acontecer.” 

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Em tempos difíceis, 43.ª Mostra de Cinema de São Paulo vem forte e com seleção extensa

São 300 filmes, incluindo 60 brasileiros; obras premiadas nos maiores festivais e autores de importância reconhecida

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2019 | 07h00

Importantes festivais de cinemas do País tiveram de adiar suas datas e até abrir crowdfunding para se viabilizar neste ano. Os cortes de patrocínios à cultura têm sido drásticos. Nesse cenário que se torna crítico, a Mostra de Cinema de São Paulo inicia firme e forte na quarta-feira, 16, sua 43.ª edição. Ministério da Cidadania, governo do Estado, Prefeitura, Itaú e Sabesp garantem a realização do evento de cinema mais importante da cidade.

Será uma mostra surpreendente, potente, anuncia a própria diretora do evento, Renata de Almeida. Até dia 30 serão exibidos cerca de 300 filmes. Em torno de 60, um quinto, brasileiros. Renata destaca o DNA brasileiro, presente desde o cartaz de Nina Pandolfo, do qual foi retirada uma vinheta de grande sensibilidade – “Um oásis nestes tempos de tanta brutalidade e grosseria”, segundo Renata –, mas também nos filmes de abertura e encerramento. 

A mostra abre-se com Wasp Network, de Olivier Assayas, produção de Rodrigo Teixeira a partir do best-seller de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, em presença do diretor e dos atores Édgar Ramírez e Wagner Moura. Encerra-se com Os Dois Papas, produção internacional dirigida por Fernando Meirelles, com Jonathan Pryce e Anthony Hopkins como os papas Francisco e Bento XV que discutem os rumos da Igreja (e do mundo).

Assayas receberá o Prêmio Leon Cakoff e a Mostra anuncia uma retrospectiva com 14 títulos, desde mais antigos como Irma Vep até Clean, da fase em que foi casado com Maggie Cheung, até obras como Depois de Maio, sobre o célebre Maio de 68, Horas de Verão, Vidas Duplas e a série completa dedicada a Carlos, com Édgar Ramírez como o terrorista que se tornou conhecido como Chacal. Meirelles também produz outra pérola da programação, o documentário The Great Green Wall, dirigido por Jared P. Scott, que representa sua vertente ecológica.

Já que foi citado o Prêmio Leon Cakoff para Assayas, outro importante autor – além de amigo do evento –, o israelense Amos Gitai, também receberá o mesmo prêmio. Amos comemora na Mostra datas redondas de seus grandes filmes – os 30 anos de Berlim-Jerusalém e os 40 de Laços Sagrados – Kadosh. Lança o livro Em Tempos Como Estes, uma compilação da correspondência de sua mãe, Efratia Gitai, entre 1929 e 1994, numa parceria da Mostra com a editora Ubu e o Ventre Studio, que promoverá uma leitura das cartas (por Bárbara Paz).

Outro amigo, o palestino Elia Suleiman, apresenta seu novo longa, premiado em Cannes, em maio – O Paraíso Deve Ser Aqui –, e recebe o Prêmio Humanidade. Renata lembra que Amos e Suleiman são amigos e a prova viva de que o diálogo é possível no Oriente Médio

 

DESTAQUES:

Pacificado

O longa que o norte-americano Paxton Winters realizou numa favela do Rio venceu a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián

 

Sinônimos

Urso de Ouro no Festival de Berlim, o longa do israelense Navad Lapid narra uma bela história de pertencimento. Jovem judeu que deixou Israel tenta se adaptar à França. Como companheiro, tem um dicionário

 

A Vida Invisível

O longa de Karim Aïnouz que venceu a mostra Un Certain Regard em Cannes é uma das atrações da programação especial que terá o Municipal como palco

 

Parasita  

O sul-coreano Bong Joon-ho venceu em 2019 a Palma de Ouro, em Cannes, por esse ‘assunto de família’, na verdade duas famílias que interagem. É a primeira vez que a Coreia do Sul leva o principal prêmio do festival

 

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Saiba tudo sobre a 43.ª edição da Mostra Internacional de Cinema

Valores dos ingressos, data de abertura das vendas e filmes exibidos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 07h00

A Mostra Internacional de Cinema de 2019 irá exibir cerca de 300 filmes inéditos. Entre os dias 17 e 30 de outubro, 34 salas de 28 locais de exibição, entre salas de cinema, espaços culturais, CEUS e museus recebem a programação do evento. O Caderno 2 preparou um guia com todas as informações da 43.ª edição da Mostra. Confira:

Quando acontece?

A Mostra começa em 17 de outubro e segue até o dia 30. Mas, como nas outras edições, há uma semana extra de programação, conhecida como repescagem, que traz novas sessões. Em 2019, essa semana acontece entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro.

Como comprar ingressos para a Mostra Internacional de Cinema?

Os pacotes de ingressos e as entradas permanentes para o evento começarão a ser vendidos neste sábado, dia 12, a partir das 11h. Os pacotes de ingressos podem ser comprados na Central da Mostra, nos pontos de exibição e online, no site veloxtickets.com. Confira os endereços:

Central da Mostra

  • Endereço: Av. Paulista, 2073 (Conjunto Nacional)
  • Informações: A partir do dia 07/10, das 12h às 18h
  • Vendas de pacotes: De 12 a 30/10, das 11h às 21h

Estande da Mostra para troca de ingressos

  • Endereço: Shopping Frei Caneca, rua Frei Caneca, 569 (3º andar).
  • Trocas: De 17 a 30/10, das 12h às 21h

Quanto custam os ingressos?

O valor varia de acordo com o pacote. São cinco opções:

  • Ingressos avulsos: R$ 20 (de segunda a quinta) e R$ 24 (de sexta a domingo)
  • Pacote com 20 ingressos: R$ 220
  • Pacote com 40 ingressos: R$ 374
  • Permanente especial (de segunda a sexta, até 17h55): R$ 117
  • Permanente integral (acesso total, em todos os dias e horários): R$ 500

Obs.: Os ingressos avulsos estarão disponíveis no dia de cada sessão, somente nas salas de exibição.

Quem são os homenageados? 

O diretor palestino Elia Suleiman recebe o Prêmio Humanidade; seu trabalho mais recente, O Paraíso Deve Ser Aqui, foi premiado no Festival de Cannes e compõe a programação da Mostra. 

O diretor israelense Amos Gitai recebe o prêmio Leon Cakoff. Dois de seus longas, Berlim-Jerusalém (1989) e Kadosh – Laços Sagrados (1999) terão sessões especiais em homenagem aos seus aniversários de lançamento. 

Quais filmes são os destaques desta edição?

Os filmes brasileiros representam 20% da programação. Entre eles, está A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, premiado em Cannes e indicado pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro. Como o longa de Aïnouz, outros 11 filmes indicados por seus países para tentar concorrer ao Oscar integram a programação. Entre eles, Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, e mais títulos que fizeram sensação na Croisette. O Paraíso Deve Ser Aqui, do palestino Elia Suleiman, e Papicha, de Mounia Meddour, da Argélia.

Confira a lista de destaques:

  • Parasita, de Bong Joon-ho
  • Wasp Network, de Olivier Assayas
  • Dois Papas, de Fernando Meirelles
  •  A Vida Invisível, de Karim Aïnouz
  •  The Great Green Wall, com produção de Fernando Meirelles
  • A Linha, de Ricardo Laganaro (filme em realidade virtual premiado no Festival de Veneza)
  • O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica, em homenagem ao centenário do filme, na semana da repescagem. 

Onde acontece a Mostra Internacional de Cinema?

A programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema ocorrerá em 34 salas de 28 locais de exibição:

Circuito pago:

  • Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer
  • Cinearte (Salas 1 e 2)
  • Cinemateca Brasileira
  • Sala BNDES
  • Cinesala
  • CineSesc
  • Espaço Itaú de Cinema – Augusta (Salas 1 e 4)
  • Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca (Salas 1, 2, 3, 4, 5)
  • Instituto Moreira Salles (IMS Paulista)
  • Itaú Cultural
  • MIS
  • Petra Belas Artes (Sala Villa-Lobos)
  • Reserva Cultural (sala 1)
  • Spcine Olido
  • Spcine Paulo Emilio – CCSP
  • Spcine Lima Barreto – CCSP

Circuito gratuito: 

  • Instituto CPFL (sala Umuarama)
  • SESC Belenzinho
  • SESC Campo Limpo
  • SESC Osasco – Tenda
  • Theatro Municipal de São Paulo
  • MASP (Vão Livre)
  • CEU Aricanduva
  • CEU Caminho do Mar
  • CEU Meninos
  • CEU Vila Atlântica
  • CEU Jaçanã
  • Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes

É possível assistir aos filmes depois da Mostra?

Para quem não é de São Paulo, é possível conferir alguns dos filmes na itinerância que o Sesc promoverá pelo interior. Entre os dias 9 de novembro e 8 de dezembro, 12 cidades receberão a programação, que conta com 10 filmes: Araraquara, Bauru, Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio Preto, Santos, São Carlos, São José dos Campos, Sorocaba e Presidente Prudente.

O Instituto CPFL de Campinas terá sessões simultâneas à programação do evento entre os dias 21 e 30/10, com exceção do dia 25/10. A entrada é franca. 

Além disso, dez filmes que compõem a Mostra também estarão disponíveis na plataforma de streaming Spcine Play. Os títulos escolhidos são Viúva do Silêncio, de Praveen Morchhale, Você Tem a Noite, de Ivan Salatic, Rua do Deserto, 143, de Hassen Ferhani, Hálito Azul e Surdina, ambos de Rodrigo Areias, Oleg, de Juris Kursietis, Uma Colônia, de Geneviève Dulude-de Celles, Apenas 6.5, de Saeed Roustayi, O Carcereiro, de Nima Javidi, e Cartas para Paul Morrissey, de Armand Rovira.

Quem vem para a Mostra?

Dezenas de diretores, atores e produtores, brasileiros e estrangeiros, confirmaram presença no evento. Entre eles, estão Leonardo Sbaraglia e Olivier Assayas (respectivamente ator e diretor de Wasp Network), Willem Dafoe, ator de O Farol, Fernanda Montenegro, Sebastián Borensztein, diretor de A Odisseia dos Tolos, e Juan Minujín, ator de Dois Papas.

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Na 43.ª edição, Mostra de Cinema São Paulo se mantém na defesa da diversidade

O evento que começa dia 17 apresenta cerca de 300 filmes, entre eles está 'A Vida Invisível', de Karim Aïnouz, indicado para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2019 | 18h07

Desde a 35.ª Mostra – há oito anos – nenhum artista brasileiro assinava o cartaz do evento. A escolha de Nina para criar o pôster da 43.ª Mostra não é nem um pouco acidental. Nesses tempos sombrios, em que a grosseria virou norma, a delicadeza da artista parece coisa de outro mundo – de outra era, com certeza. A Mostra realizou no sábado, 5, a coletiva de lançamento da sua edição 2019.

O Espaço da Augusta abrigou a solenidade. Presentes na mesa, autoridades, patrocinadores. Renata de Almeida começou citando os tempos difíceis que o Brasil atravessa. Lá estavam a presidente da Spcine, Laís Bodanzky, o secretário Municipal de Cultura, Alê Youssef, o diretor do Sesc, Danilo Santos de Miranda, etc. Falaram muito em ‘filtros’, ‘resistência’. A Mostra, desde suas origens, durante a ditadura, foi sempre sinônimo de resistência.

O pôster virou uma linda vinheta. “A Mostra é brasileira no DNA”, destacou Renata, citando, além do pôster, o filme de abertura, Wasp Network, de Olivier Assayas, produzido por Rodrigo Teixeira e adaptado do best-seller de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria e o de encerramento, Os Dois Papas, produção internacional dirigida por um brasileiro, Fernando Meirelles. Nunca houve tantos filmes brasileiros na seleção – cerca de 60. “E é uma seleção surpreendentemente forte”, diz Renata, agora é a curadora falando. A Mostra deste ano terá uma parte de sua programação no Teatro Municipal. Laís e Alê destacaram que, em momento algum, a Spcine e a Prefeitura, por meio de sua secretaria da Cultura, tentaram exercer filtros. Toda liberdade à curadoria – a Renata e sua equipe.

A Mostra começa em 17 de outubro e segue até 30. Como ocorre sempre, terá mais uma semana de repescagem. Ao longo de duas semanas, deve apresentar cerca de 300 filmes de 45 países. Serão exibidos em 27 locais, entre salas de cinema, espaços culturais, CEUs e museus espalhados pela cidade de São Paulo, incluindo apresentações gratuitas e ao ar livre. 

O Brasil contempla a maior seleção – 1/5 dos filmes, entre eles A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, premiado em Cannes e indicado pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro. Como o longa de Aïnouz, outros 11 filmes indicados por seus países para tentar concorrer ao Oscar integram a programação.

Entre eles – Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, e mais títulos que fizeram sensação na Croisette. O Paraíso Deve Ser Aqui, do palestino Elia Suleiman, e Papicha, de Mounia Meddour, da Argélia. Suleiman receberá o Prêmio Humanidades, com que a Mostra honra autores por sua contribuição estética e humanística. Seu amigo, o israelense Amos Gitai – ambos são a prova de que o diálogo é possível no Oriente Médio – receberá o Prêmio Leon Cakoff.

Justamente Gitai e Olivier Assayas serão contemplados com retrospectivas. O israelense lança em São Paulo o livro Em Tempos Como Estes... Correspondências, que reúne cartas escritas por e para sua mãe, Efratia Gitai. E, a par da homenagem à sua mãe, homenageia também o pai, Munio Weinraub, forçado pelos nazistas a abandonar a Alemanha (e a Bauhaus). Gitai fez para ele o filme Lullaby To My Father. Amigo da Mostra, o crítico Rubens Ewald Filho, que morreu em 19 de junho, também será lembrado, e homenageado.

Há de ser uma bela sessão, a de O Mágico de Oz, no Vão Livre do Masp. A jovem Judy Garland vai cantar Over the Rainbow e o público, mais uma vez, será convidado a seguir com ela por aquela estrada de tijolos até o mundo da fantasia. Já na repescagem, em 2 de novembro, os 100 anos do clássico O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, será lembrado com a projeção do filme com música ao vivo no Ibirapuera.

A Mostra resgata o passado olhando para o futuro. Haverá, no CineSesc, uma programação especial dedicada à VR, realidade virtual. E o 3.º Fórum Mostra promoverá debates e encontros com o objetivo de contribuir para a reflexão sobre o fazer cinematográfico.

 

DESTAQUES DA MOSTRA

Parasita

De Bong Joon-ho. O longa vencedor da Palma de Ouro. Família disfuncional invade a casa de ricaços. O horror, o horror

 

Wasp Network

O filme de abertura. Rodrigo Teixeira produz e Olivier Assayas dirige a adaptação do livro de Fernando Morais sobre os últimos soldados da Guerra Fria

 

Dois Papas

O encerramento. Fernando Meirelles dirige o diálogo ficcional entre os papas Francisco e Bento XV

 

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

O longa de Karim Aïnouz premiado em Cannes ganha sessão de gala no Teatro Municipal. Fernanda Montenegro merece

 

The Great Green Wall

O manifesto ecológico do produtor Fernando Meirelles

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Artista brasileira Nina Pandolfo assina poster da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Cartaz traz a tradicional menina de olhos grandes, marca dos grafites da artista

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 11h37

A 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo divulgou, na quinta-feira, 26, o cartaz oficial desta edição, que começa no dia 17 de outubro. Trata-se de uma arte assinada pela artista brasileira Nina Pandolfo, conhecida por pintar universos lúdicos compostos de meninas de olhos grandes e expressivos em grafites nas ruas da cidade e em telas expostas em galerias paulistas e estrangeiras.

Nina optou por destacar a arte do cinema. “Tudo começa na cabeça: as ideias, a parte da cenografia, o ator, quando lê o roteiro, pensa o personagem na cabeça dele. Por isso a cabeça é o centro”, afirma ela, que destaca a diferença nas cores dos olhos (um é azul e outro, vermelho), que simboliza um antigo par de óculos para filmes em 3D. E os balões que saem deles, além de uma casa, remontam a contos e fadas.

“Quando você entra no universo do cinema, é uma viagem, que conduz tanto os criadores quanto quem está assistindo. É a união de várias pessoas, de várias ideias que constroem o universo principal – o filme. Por isso tem essa miscelânea de inspirações”, explica Nina.

A 43ª Mostra acontece em São Paulo entre os dias 17 e 30 de outubro. Nesse ano, além da exibição de filmes em salas tradicionais, acontecerá também no Teatro Municipal, que vai receber três longas brasileiros.

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Mostra de Cinema comemoraria 20 anos de parceria com Petrobrás

A responsável pelo evento, Renata Almeida, diz que já sabia do corte de patrocínio anunciado havia 15 dias

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 03h00

Muito antes que a Petrobrás anunciasse o corte do patrocínio à Mostra de Cinema, a responsável pelo projeto, Renata Almeida, já recebera, há 15 dias, um telefonema sigiloso do novo superintendente da área, anunciando o que iria ocorrer. Ele creditou o fato a "uma mudança de direcionamento da empresa". Renata lamenta porque o vínculo da Mostra com a Petrobrás começou na 23ª edição do evento criado por Leon Cakoff

“Este ano completaríamos 20 anos de parceria. Era bom para a Mostra, mas também era para a Petrobrás. Passei o dia atendendo telefonemas de pessoas que queriam saber se era verdade e diziam que era absurdo, porque o retorno institucional para a empresa era enorme. A Petrobrás nem gastava tanto assim e a Mostra lhe garantia extraordinária exposição de sua marca para um público de cinéfilos que fazia a diferença.”

No ano passado, o aporte financeiro veio da Lei Rouanet. Em outros anos, mas nem sempre, como verba de marketing.

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