Dicas de cinema: Hitchcock comanda indicações

As indicações de cinema, pelo crítico Luiz Carlos Merten

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2020 | 05h00

Como toda semana, é dia de VOD, de indicações de filmes para ver em casa, no streaming. Poderia ser um dia de indicações temáticas, com filmes sobre crimes. Um dos primeiros filmes sonoros de Alfred Hitchcock, Murder/Assassinato, de 1929, e meio século mais tarde, em 1979, outro de Bertrand Blier, Coquetel de Assassinos. Para contrapor a tantos crimes e assassinatos, que tal um filme leve e divertido? Um Reencontro, de Lisa Azuelos, pode muito bem ser essa alternativa.

 

Assassinato 

No seu terceiro longa-metragem sonoro, o mestre do suspense Alfred Hitchcock já brincava de aparecer no próprio filme. Mas demora – mais ou menos uma hora – para passar pela cena do crime. A história, adaptada de uma peça de teatro (Enter, Sir John, de Clarence Dane e Helen Simpson). Uma atriz vira suspeita ao ser encontrada junto ao corpo da amiga, que foi assassinada. Para complicar, não se lembra de nada. O espectador logo deduz que a loira não é culpada, mas, então, quem matou? Trata-se de um raro filme do diretor construído em torno a essa pergunta. A caçada na cúpula do Museu Britânico, o desfecho no circo. Já era um Hitchcock senhor dos seus meios. E para marcar o som, ele usa logo os acordes da Quinta Sinfonia de Beethoven. 

Disponível no Mubi. 

Coquetel de Assassinos 

Buffet Froid, no original. O roteirista e diretor francês Bertrand Blier dirige o pai, Bernard Blier, e também Jean Carmet e o jovem Gérard Depardieu nessa história sobre um trio meio inesperado. Um assassino, um inspetor de polícia e um bobão. O primeiro conseguirá enganar os outros dois? Blier filho recebeu o Oscar por Preparez Vos Mouchoirs no ano anterior (1978). Na França, foi sempre muito considerado, queridinho do público e da crítica. Mas no Brasil seu humor – aqui, beirando o surrealismo – nunca entusiasmou as plateias. Quem sabe agora? Disponível no Mubi. 

Um Reencontro 

Elsa e Pierre, que são interpretados por Sophie Marceau e François Cluzet. Na ficção da diretora francesa Lisa Azuelos, o casal faz de tudo para a relação dar certo, mas as coisas estão sempre conspirando. Para começar, ele já é casado – com a diretora do filme! Só que o que poderia virar um drama pesado é tratado por Lisa como comédia. E leve. De cara, Pierre diz a Elsa: “Há tristeza em seus olhos, que bonito!”. A ideia é a de um relacionamento de pessoas maduras, que precisam fazer escolhas. Só isso já tira o filme da rotina. Belas Artes a la Carte.

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