DiCaprio quer ser levado a sério

Leonardo DiCaprio ficou dois anos longe da mídia mundial. Voltou em dose dupla, pela mão de dois pesos-pesados de Hollywood, Martin Scorsese (Gangues de Nova York) e Steven Spielberg (Prenda-me se For Capaz, que estréia nesta sexta-feira). A ausência foi planejada. É que o astro de Titanic quer deixar para trás a imagem de galã teen e firmar-se definitivamente como um ator sério.Como parte da estratégia, DiCaprio mantém agora distância das revistas femininas, shows de TV e publicações voltadas a adolescentes. Nas entrevistas que têm concedido, tem evitado falar de sua vida pessoal, em especial sobre o que deu errado em seu romance com a top brasileira Gisele Bündchen, que rendeu farto material à imprensa mundial. E ainda passa pito: "Não quero fazer discurso, mas acho que a imprensa deveria reavaliar sua posição e tentar dar mais espaço para que o trabalho de um artista, e não sua vida particular, seja o foco de atenção das reportagens."Em entrevista ao Estado, o ator de 28 anos relembra o período pós-Titanic - a maior bilheteria da história - como uma época complicada. "Depois de toda aquela atencão, as pessoas queriam me ver em determinado tipo de filme ou que eu fosse um certo tipo de artista", diz. "O que fazer? Nada. Apenas não propagar toda aquela insanidade e continuar estritamente seguindo o programa original de carreira à qual sempre me dispus. Imagine como seria doentio caso chegasse aos 45 anos fazendo sempre o herói romântico e namorando mocinhas?"DiCaprio teve o privilégio de trabalhar com três dos mais consagrados diretores de Hollywood, Scorsese, Spielberg e Woody Allen (Celebridade). E não titubeia ao avaliar seus estilos. "Embora não seja certo dizer que Martin pertença à velha escola cinematográfica, acredito que ele opera como os grandes mestres do passado, sentindo-se responsável por todos os departamentos de seu filme, além de ser muito refinado com detalhes", revela. "Já Spielberg, apesar de todo o sucesso, tem um jeito de trabalhar que é muito parecido com o de um cineasta independente, em termos de estilo e rapidez." Pouco a pouco, DiCaprio tem conseguido levar a cabo seu projeto de grande ator. Mas ainda falta convencer muita gente. Assim como em 1997, com Titanic, ele foi novamente esnobado pela Academia do Oscar. Nem seu papel de filho de imigrante obstinado em vingar a morte do pai, em Gangues, nem o charmoso falsário de Prenda-Me se For Capaz lhe renderam uma indicação ao Oscar.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2003 | 09h48

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