"Diários de Motocicleta" encanta platéia de Cannes

Foi uma das sessões mais aplaudidas até agora, talvez a mais emocionante. E uma das entrevistas mais concorridas. Diários de Motocicleta, o novo filme de Walter Salles, empolgou hoje o público do Festival de Cannes. O diretor brasileiro dividiu os holofotes com o astro mexicano Gael Garcia Bernal, que interpreta o jovem argentino Ernesto Guevara, antes de se tornar o mítico Che, e com Alberto Granado, 82 anos. Granado foi o companheiro da viagem iniciática de Che, nos anos 50, pela América Latina.É nas memórias desta aventura, feita em parte sobre duas rodas, que o filme é baseado. O Guevara de Bernal é tímido e de fala mansa. Salles disse em Cannes que não quis deixar o ícone Che, o das camisetas e pôsteres, obscurecer o trabalho. Em elogio a Bernal, disse que seria fácil fazer do guerrilheiro um flamboyant, cheio de certezas. "Mas isto (a viagem) foi um rito de passagem", disse. O diretor, que respondeu aos jornalistas em português, francês e inglês, acrescentou esperar que o filme estimule o debate. "Nossa expectativa sempre foi de que o filme gerasse um debate interno na América Latina, que as pessoas possam ver e reagir a ele", disse. À noite, o filme será exibido novamente, em sessão de gala.O diretor de Central do Brasil já disse achar que Diários não tem o perfil daquilo que se chama de "filme de festival". Mas a calorosa recepção de hoje, e ainda as muitas críticas favoráveis, o põem na briga pela Palma, bem como o astro Bernal, apontado em Cannes como o "James Dean latino". Pela frente, há a dura missão de convencer um júri presidido por Quentin Tarantino, com sua preferência assumida por filmes B. "Às vezes tenho a impressão de que as pessoas acham que conhecem meus gostos", disse o diretor de Kill Bill à revista Studio. "Mas meus gostos são ecléticos e, principalmente, não são imutáveis". Acima de tudo, porém, o júri não tem mostrado sintonia. Em sua primeira aparição pública, na abertura do festival, Tarantino se desentendeu com outros jurados. As atrizes Tilda Swington e Emmanuelle Béart discordaram de quase tudo o que ele disse.

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