"Diários de Motocicleta" é elogiado em Londres

O filme Diários de Motocicleta foi bem recebido por um eclético público em Londres ao ser exibido pela primeira vez na capital britânica na noite de ontem. A obra de Walter Salles, sobre a mitológica viagem do jovem Che Guevara pela América Latina nos anos 50, vai estrear em Londres no dia 27 de agosto, mas teve uma pré-estréia no National Film Theatre (NFT) - um dos cinemas mais tradicionais da cidade.Promovido pelo NFT e pelo jornal britânico The Guardian, o evento contou com a presença de membros do NFT, jornalistas, do grande público e do cineasta brasileiro. Walter Salles chegou a Londres depois de passar por Edimburgo, onde Diários de Motocicleta teve uma recepção calorosa na abertura do festival de cinema da cidade escocesa.A opinião geral sobre o filme foi quase unânime à de Tood McCarthy, da revista Variety: Diários de Motocicleta é o melhor filme de Walter Salles e tem tudo para estourar em sua carreira internacional."Fiquei encantada com o filme. O filme é inspirador, lindo e bastante desafiador. Gostei muito do caráter documentarista do filme, parecia que estávamos viajando com Che", disse a escritora inglesa Ketsia Martin ? fã declarada de Walter Salles. "Para mim, ele é a voz mais importante do cinema latino."Ketsia Martin diz acreditar que mais pessoas na Europa vão passar a se interessar pela história latino-americana depois de assistir ao filme. "Eu mesma, não conheço a América do Sul, vou querer conhecer, e também quero ler mais sobre Guevara", afirma. Apesar de a maioria da pláteia no evento do NFT ser inglesa, havia muitos cubanos na exibição do filme. Um deles era um estudante que se identificou apenas como Paué. Brasileira na platéia - A roteirista brasileira Teresa Biggs era uma das poucas brasileiras na platéia e se emocionou com o filme e com as palavras de Walter Salles, quando o diretor falou sobre Diários de Motocicleta após a exibição. "Achei o filme impressionante, não apenas pela figura do Che, mas pela direção do Walter Salles, que é um primor. Ele consegue mostrar o nascimento do líder revolucionário e faz nós, brasileiros, pensarmos como sendo parte da América Latina também. Geralmente, acho que só olhamos para a Europa e para os Estados Unidos", diz Biggs.A roteirista disse agora torcer para que Walter Salles e o Brasil ganhem o tão sonhado Oscar com Diários de Motocicleta. Já para o próprio Walter Salles, o desejo é de uma maior unidade cultural, principalmente cinematográfica, entre os países da América Latina."Quando comecei a filmar Diários não sabia se era possível unir um país como o meu, o Brasil, com o resto da região. Mas ao viajar pela América do Sul, vi que temos problemas parecidos, e qualidades também. Meu sonho é promover a união entre o cinema do Brasil com o de países como a Argentina e o México", disse o diretor."Diários de Motocicleta abriu meus olhos para essa união, me transformou como pessoa e profissional", concluiu. Walter Salles afirmou ainda que a nova onda do cinema argentino é a mais criativa do mundo atualmente.

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