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'Diário Perdido' faz balanço de ganhos e perdas femininas

Discussão é levada por garota, que vive no Canadá, e vai visitar a mãe (Catherine Deneuve), na França

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

25 de março de 2010 | 20h09

Uma visão feminina sobre a relação entre mães e filhas - eis aí do que trata Diário Perdido, de Julie Lopes Curval. São três gerações de mulheres que se entreolham (simbolicamente) e tentam entender o progresso social da condição feminina, e os preços cobrados no percurso.

 

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video Trailer de "Diário Perdido"

 

A discussão é levada através da história de Audrey (Marina Hands), ultraliberada, que mora no Canadá e vai visitar a família na França. Lá se encontra com a mãe, Martine (Catherine Deneuve), mulher dominadora e seca como três desertos. Mas há outra figura feminina oculta, a avó de Audrey e mãe de Martine, Louise (Marie-Josée Croze), desaparecida de maneira misteriosa, porém evocada de diversas maneiras. Primeiro, pela lembrança das personagens; segundo, quando, fuçando na cozinha, Audrey descobre o diário da avó e procura compreender o que pode ter acontecido à família.

Mãe atormentada. A diretora Julie Lopes Curval conta essa história com sensibilidade e sem inventar muito em termos de linguagem. Faz um filme terno, duro quando necessário, eficaz. A grande figura não é Audrey, cheia de conflitos, mas sua mãe, a também atormentada Martine, bem interpretada por Catherine Deneuve. Sua personagem vê-se obrigada a enfrentar algo que deseja reprimir: o passado, no qual foi abandonada, junto com o irmão, por uma mãe que tinha aspirações modestamente liberais para sua época, mas era tolhida pelo marido. A construção da figura de Louise se dá através de flashbacks, quando então a história recua ao tempo em que Martine era apenas uma menina insegura.

Além de balanço dos ganhos e perdas da condição feminina, o filme investe na linha investigativa - trata-se de descobrir e resolver mistérios envolvendo gente da família, personagens queridos, mas que produziram feridas no passado. Sem grandes novidades, Diário Perdido é sensível e correto, em sua boa medida entre emoção e razão.

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