Dez anos depois, filme retrata genocídio em Ruanda

O genocídio em Ruanda de 1994 entrou para a história como um dos eventos mais sangrentos de todos os tempos. Em 100 dias, estima-se que entre 500 mil e 1 milhão de pessoas morreram baleadas, queimadas, afogadas, espancadas ou esquartejadas, na guerra tribal empreendida pelos hutus contra os tutsis. A comunidade internacional fez muito pouco para evitar ou interromper o massacre. Agora, dez anos depois, o genocídio será contado nas telas pelo diretor Terry George no filme Hotel Rwanda, com Nick Nolte e Don Cheadle.A história gira em torna de um dono de hotel, Paul Rusesabagina, que escondeu em sua propriedade 1,2 mil tutsis, entre eles alguns dos primeiros alvos dos hutus, empresários e políticos. O diretor conta ter achado o script perfeito para o trabalho que faz. Ou seja: "uma história humana com forte fundo político". Vale lembrar que o irlandês George foi parceiro de Jim Sheridan em Em Nome do Pai, em que Daniel Day-Lewis é preso como integrante do IRA, e diretor de Mães em Luta, também sobre a história recente da Irlanda do Norte.Cheadle, que estrelou Traffic e Onze Homens e Um Segredo, aderiu ao projeto prontamente para encarnar o herói. "Em um ano, normalmente apenas dois ou três scripts me empolgam - e dois deles provavelmente acabam com Will Smith". Encotrar patrocínio foi mais difícil, mas a MGM acabou abraçando a idéia - a propósito, há outros dois projetos de filmes sobre o massacre. As filmagens de Hotel Rwanda começaram em janeiro. Em grande parte, ele é rodado na África do Sul. Detalhe: entre os mais de 10 mil figurantes, há um grande número de refugiados, de Ruanda e de outros países do continente. Sinal de que a violência ainda é a triste marca da região.

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